Usando da faculdade conferida pelo artigo 50.º (...) e nos termos dos n.os 2 e 3 do artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 16/2007, o Chefe do Executivo manda:
É renovada a nomeação dos seguintes membros do Conselho Administrativo do Fundo de Desenvolvimento Educativo, a partir de 22 de Novembro de 2009 até 21 de Novembro de 2010.
Nada de especial no trecho acima, não é mesmo? Afinal, apenas mais um despacho burocrático, não? Do tipo que as imprensam oficiais publicizam todo dia.
De certa forma sim, mas que se torna mais curioso ao saber que foi extraído diretamente da Imprensa Oficial de... Macau.
Como já foi dito, apesar de quase não se falar mais português em Macau, a língua de Camões ainda é uma das oficiais, herança da colonização portuguesa. Deve ser por isso que a Imprensa Oficial de lá disponibiliza também em português os atos oficiais da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
Cada um tem uma imagem de Lúcia C. Alguns dizem que ela é carinhosa e cuidadosa, outros dizem que ela é colérica e impaciente. Provavelmente todos estão certos, em parte. Como presidente de um (complexo) complexo cultural sua imagem está fadada a se mostrar diferente a cada momento e de cada ângulo que se olhe, não muito longe de um caleidoscópio.
Assim, como em um quadro daquela revista Seleções do Reader's Digest, gostaria de apresentar a minha memória da imagem de Lúcia C.
A chefia que geralmente despacharia com a presidência não estava presente naquele dia. Mas todos os papéis (compras, pagamentos, correspondências, etc) não podiam esperar até o outro dia. Coube a mim a tarefa de despachar com a presidência.
Desnecessário dizer que eu estava morrendo de medo de fazer alguma besteira. E se a czarina deixasse o seu dedo no meio dos papéis? E se ela estivesse em um dia difícil?
O meu azar é que nesse dia havia muita coisa que precisava ser despachada. Creio que a demanda de uma semana inteira média havia despencado para o meu lado em um dia só.
Nesse dia, antes de despachar, aconteceu de tudo: papel urgente entregue no lugar errado (onde está???), outros papéis que pareciam sumir, carimbos carimbados ligeiramente fora de lugar (e se ela se recusasse a assinar?). Para arrematar, a secretária estava de férias.
As horas passavam e nada de eu ser chamado para despachar (ei, o meu pedido já foi analisado? preciso disso rápido, ok?!). Até que, já bem adentro do expediente (aliás, provavelmente eu já estava fazendo hora extra), fui chamado para a sala da presidência.
Frio enorme na barriga.
"Seja discreto e fale o necessário, ok?" era o que tinham me dito.
Para não assustar a presidente com a montanha de papel, eu resolvi levar apenas o extremamente urgente. O resto teria que esperar. Aliás, essa divisão tinha um caráter prático também: era tanta coisa que era impossível carregar tudo em apenas uma viagem.
Assim que sentei na mesa, Lúcia C. sacou um cigarro, acendeu, reclinou na cadeira e deu uma boa tragada.
Ela não pediu licença nem me perguntou se eu me importava com a fumaça. Sinceramente, achei isso o máximo. Foi um ato cheio de dignidade, afinal aquela era a sala dela, a sala da presidência. Eu era apenas a visita. Esse ato, embora pequeno e geralmente não considerado muito nobre, foi de tremenda naturalidade e, para mim, de itensidade imensa. Ora, essa era prerrogativa dela. A César o que é de César.
Eu, discreto, ia falando apenas o necessário: "precisamos enviar isso para tal lugar, por causa disso e daquilo, etc".
Até que em um momento, em que olhávamos algumas autorizações de pagamento ela deu uma deixa: "Isso já foi muito mais complicado. Sabe, essas coisas vinham datilografadas, hoje é tudo mais fácil...".
Contrariando as orientações que me foram dadas (alguns diriam que contrariando também o bom senso), fui fazendo comentários e o assunto foi rendendo. Quando dei por conta, estávamos conversando sobre como fazer a viagem pela Trans-Siberiana! E ela me deu uma ou duas dicas sobre redação oficial.
Assim que terminamos de assinar os papéis, ela me perguntou se havia mais. Eu falei que sim, mas como era muita coisa, poderíamos deixar para o dia seguinte. Ela disse que não, que estávamos embalados, que poderíamos terminar tudo ali mesmo de uma vez.
No fim, apesar da montanha de papel, do adiantado da hora, dos carimbos errados, etc., deu tudo certo. Naturalmente, eu fui embora para casa muito mais leve naquele dia. Eu tinha medo de algo dar terrivelmente errado, o que não aconteceu, e a experiência no geral foi muito agradável.
Talvez se eu tivesse sido chamado em uma outra hora, ou ainda em um outro dia, as coisas não tivessem fluído tão bem. Afinal, todos nós temos humores e humores. Mas naquele dia tudo foi ótimo.
Essa é minha imagem de Lúcia C.: fumando bem instalada em sua cadeira, olhando comigo toda aquela papelada, conversando amigavelmente, já no início da noite.
Outros, claro, vão achar discutível essa imagem, e falar que ela não era sempre assim, ou que ela... Esse não é ponto. Como disse, provavelmente estão todos certo, em parte.
Como dito recentemente, um disco rígido meu queimou recentemente. Apesar do choro e ranger de dentes (e do dinheiro gasto para comprar um disco novo), a perda do disco havia trazido uma espécie de benefício não previsto. Apesar de não ver nada de mais em feng shui, um dos preceitos dessa "filosofia" é, de vez em quando, jogar as tralhas fora. Interessante.
Ora, foi isso que, embora não intencionalmente, a queima do disco proporcionou. Minhas "tralhas" (artigos que vinha postergando ler, músicas de gosto duvidoso, curtas ainda a assistir, etc) de repente não estavam mais lá. Com meu disco novo não tinha mais nada dessa "bagagem". Quer ler alguma coisa? Vá e baixe, mas leia de uma vez. Não havia mais o "quarto de despejo" para jogar os arquivos e, um dia, quem sabe, achá-los de volta.
Bom...
Isso até eu descobrir no Mercado Livre um rapaz de Curitiba que oferece serviços de manutenção de discos a preços módicos. Enviei meu disco rígido para o sul e o rapaz conseguiu reparar o estrago que a conexão elétrica errada tinha causado. Recebi ontem o disco de volta, e funcionando. A natureza do reparo necessário não é trivial, por isso fiquei surpreso com o fato do disco funcionar. Mais surpreso ainda pelo conserto não ter custado meu olho esquerdo.
Com isso, meu quartinho de despejo* voltou!
:D Ehhhhhhhhhhhh!!!
Vou dar um jeito nele. Mas em um outro dia, claro.
* Não é desorganizado assim... É quase uma licença poética, ok?
Eu estava procurando uma coisa para comprar na Internet. O item estava sempre na faixa de R$ 399,00 - 499,00, em todas as lojas em que pesquisei. Razoável até, mas não irresistível.
Até que, de repente, o mesmo item aparece por R$ 299,00 em um reputada loja. Ou seja, R$ 100-200 mais barato que nos outros lugares! Achando estranho, comprei rapidinho. Afinal, poderia ser um erro de preenchimento da loja. Mas será?...
Agora me diga: tem prazer maior do que você comprar um determinado item por um preço suspeitamente baixo, mas em uma loja conhecida, e depois ver que, poucos instantes após fechar seu pedido, o preço subiu para uma faixa "normal"? Minha opinião: o preço estava preenchido errado mesmo. Aí, quando fiz meu pedido, o pessoal da loja percebeu e corrigiu o preço na página. Mas o meu pedido já estava feito.
Um prazer culpado? Sem dúvida. Mas ainda um prazer.
Totalmente não-cool, mas não menos legal por conta disso. Yngwie Malmsteen toca "Jet to Jet", do Alcatrazz, que tem uma das letras mais peculiares que já vi: o que mais dizer de "two hundred pounds worth of megawatts"? Pode ver até 4:05, depois é só massacre (literalmente) da guitarra.
JET TO JET
On a short trip we made a landing Then we were strangers in town How they stared as we made our exit We're white they're all brown
Dr. Livingstone where are you when we need you the most We're white as ivory on the ivory coast
[1/2CHORUS]
Jet into jet
Eat their poison like true ambassadors We will drink up their beer So predictable washed out white Men foreigners are here
Call me master I'll call you boy If that's all that you need How that wounds me just leave me here to bleed
[SOLO]
Black mans burden is on his shoulder and keeps him well in his place Two hundred pounds worth of megawatts That smack him in the face
There's no reason to take the weight Life's not strapped to your head Don't wear the token till the token black is dead
Dizem que quando somos pequenos, olhamos para os adultos e pensamos que eles sabem tudo.
Só depois é que se descobre que os adultos não sabem tanto assim (e que boa parte deles parece não saber nada). E que a maior parte deles se leva a sério demais.
Para mim, esse momento chegou com jeito de epifania. Eu estava brincando em um balanço em um parquinho. Se você já brincou no balanço, sabe que a cadeirinha pode chegar a uma velocidade razoável e que não tem como parar o brinquedo de uma vez só e, obviamente, não há como parar o brinquedo no meio do ar. É por isso que não é uma boa idéia ficar atrás (nem na frente) do brinquedo.
Pois bem, eu estava à toda no balanço quando vejo uma menininha correndo, vindo na direção da parte de trás do balanço. Ela devia ter uns 4 anos no máximo. Como não poderia deixar de ser... PLUFT! Ela tomou uma bela cacetada. Acho que ela voou, na verdade.
A culpa não era dela. Ela era pequenas demais. A culpa era de quem deveria estar tomando conta dela. A mãe dela. Uma mulher feia. Que, aliás, foi buscar a menina e fez uma tremenda careta para mim.
Eu, para ela:
- O quê? Você acha que a culpa é minha?
E ela:
- Claro que é.
Nesse momento eu percebi que ser adulto não significava nada.
Empresas exploram alimentos funcionais para ganhar mercado
(...)
Bactérias com nomes bizarros, dotadas de superpoderes quase medicinais, estão na vanguarda da batalha pelo lucrativo e conturbado mercado de alimentos funcionais -aqueles que prometem benefícios à saúde, além dos efeitos nutricionais básicos.
(...)
No Brasil, o Activia, sucesso absoluto de vendas, alcançou cerca de 90% do mercado. Um dos anúncios na TV convidava consumidoras com "intestino preguiçoso" a tomar 15 Activias para regular a função intestinal. Caso isso não ocorresse, receberiam o dinheiro de volta.
Minha dúvida é sobre como a empresa faz para determinar se a mulher pessoa* tomou os 15 iogurtes, e, principalmente, se o intestino dela "funcionou" nesse período.
Intestino "preguiçoso", intestino "funcionar"... Esse produto seria inviabilizado caso não houvesse eufemismos suficientes! Iogurte Obral, agora em embalagem marrom! Ou você c*g* ou devolvemos seu dinheiro!
Do DB Research, sobre concessão de empréstimos online (chamado crédito P2P):
Borrowers need to explain their situation. Borrowers at Lending Club use on average 370 characters to describe their loan request. They write more if their credit grade is bad. Each notch downward (there are 35 from A1 to G5) is statistically associated with 3.5 additional characters.
Um conceito interessante e útil em economia é o de "bem inferior". Daqui: "bens inferiores são bens cuja demanda diminui quando o nível de renda do consumidor aumenta e aumenta quando o consumidor fica mais pobre". Ou seja, um bem inferior é aquele que um indivíduo tende a usar menos (mais) quanto mais rico (pobre) ele fica.
Um exemplo clássico? O ônibus.
Hoje em dia a propaganda de motos enfatiza o quanto elas são boas por permitir que as pessoas não mais dependam dos ônibus. A implicação é clara: ei, você que pega balaio, separe uma parte do seu salário e compre uma moto em prestações a perder de vista e deixe de lado o aperto.
Assim, em um contexto como o do Brasil dos últimos anos, no qual a renda das classes mais baixas cresce rapidamente, não deve ser nada fácil fazer marketing para empresas de ônibus. Uma saída sendo explorada em Belo Horizonte é enfatizar a segurança do ônibus em relação às motos. Peças afixadas na parte de trás dos veículos divulgam estatísticas (assustadoras) referentes a acidentes com motos. Por exemplo*, no Brasil, atualmente cerca de 45% dos acidentes que causam sequelas neurológicas envolvem motos. Além de mostrar o concorrente como uma alternativa menos atrativa, as empresas de ônibus ainda podem se revestem de uma certa aura de responsabilidade social.
* Estou citando de cabeça, mas o dado é mais ou menos esse mesmo.