Matizes Escondidos

26/11/2011

Breve reflexão em três partes

 1. Vamos lá, leitor, fazer um rápido exercício mental... Pronto?

Então, tente NÃO pensar em um elefante.

Se você é uma pessoa normal, você muito provavelmente pensou em um elefante, seja ele cinza, branco ou rosa. É um fato razoavelmente bem demonstrado que, diante de uma palavra, falada ou escrita, é difícil ignorá-la e não lhe atribuir um significado.

2. É possível que você nunca tenha ouvido falar do Ford Pinto. Ele se tornou famoso, ou melhor, infame, devido a seus supostos problemas de segurança — uma falha de desenho teria tornado seu tanque de combustível em uma posição propícia a causar um incêndio em casa de colisão.

Esse carro não chegou a ser fabricado no Brasil, por questões técnicas, de custo e... de marketing. Aparentemente, segundo a Wikipedia (pt), em um artigo não muito inspirador de confiança, o nome do carro poderia ser um fato complicador para a aceitação do veículo. Será que seria tão difícil arrumar um outro nome? Mas tomemos isso como verdade.

Como mostrado em 1, é difícil ignorar uma palavra e o seu significado.

3. Expostos 1 e 2, fico pensando na aceitação de uma marca de carros chineses recém-chegado ao Brasil e que, inclusive, tem uma concessionária em Belo Horizonte:

Foto do Google Streeview

 

Pois é, a Chana chegou ao Brasil com a aspiração de vender utilitários e carros de passeio. Mas... será que ninguém pensou em mudar o nome da marca para algo mais "neutro", evitando assim as inevitáveis piadinhas? Ainda mais com esse logotipo, que, tal como este aqui*, parece com outras coisas.

No site global (http://www.globalchana.com) observamos que o nome Changan também é utilizado pela marca (conforme dito por um dos links anteriores), mas a marca Chana segue firme e forte.

Dessa forma, penso: será que Pinto é demais da conta, enquanto Chana é apenas exótico ou divertido? Lembre-se do apresentado em 1!

---

* Se você achou exagerado, recomendo este curta...


Escrito por Philipe às 17h49
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Infelizmente não posso assistir Amanhecer com você, baby. Não, você não tem mau gosto. É que eu... sou fotossensível.

Pikachu, depois você me explica como se faz luz preta?

Uma coisa é se falar que a cena em questão abaixo é composta por frames vermelhos, brancos e pretos, o que seria OK (desde que a sala de projeção estivesse bem escura, mas isso é apenas uma filigrana). Outra coisa é falar que existe uma luz preta, enquanto frequência eletromagnética visível distinta, e não como uma  sensação subjetiva.. Se existir, por favor, me contem.

Creio que o primeiro site a relatar o problema tenha sido este. Ele fala em "flashes of red, black and white", algo como "sucessão rápida de vermelho, preto e branco", mas não fala em "luz preta". Acho que os repórteres brasileiros pisaram na bola...

---

D'O Tempo:

 

Espectadores têm crises epiléticas ao assistirem a "Amanhecer"

(...)

Diante do ocorrido, o jornal ouviu especialistas que afirmam que a cena do parto é composta por luzes vermelhas, brancas e pretas, que podem provocar episódios de epilepsia fotossensível (distúrbio comum, decorrente de uma falha na capacidade do cérebro para controlar a resposta a estímulos visuais muito intensos).

---

D'O Estado de Minas:

 

Cena de Amanhecer pode ter causado convulsão em espectadores

A rede de televisão americana CBS informou nesta sexta-feira, 25 de novembro, que alguns espectadores do filme Amanhecer – Parte 1 tiveram convulsões após assistirem a uma cena do filme que estreou na última semana.

Segundo a emissora, relatos vindos de diferentes partes do país mencionavam o mesmo tipo de reação com a cena em que luzes vermelhas, pretas e brancas piscam na tela.

---

No Diário de São Paulo:

 

Filme 'Amanhecer' pode provocar epilepsia

(...)

Especialistas afirmaram que a tal cena possui várias luzes vermelhas, brancas e pretas que podem provocar episódios de epilepsia fotossensível (distúrbio causado por estímulos visuais intensos).

---

Na Folha de São Paulo (!):

 

Cena de "Amanhecer" provoca convulsão em espectadores

(...)

Segundo relatos vindos de diversas partes do país, uma cena em que luzes vermelhas, pretas e brancas piscam na tela leva espectadores à mesma reação.

---

Na Globo.com:

 

Cena de 'Amanhecer' causa convulsão nos Estados Unidos

(...)

De acordo com relatos em sites especializados em cinema, outros casos parecidos foram registrados no país, todos na mesma cena, que contém luzes vermelhas, pretas e brancas piscando rapidamente.


Escrito por Philipe às 08h09
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21/11/2011

...que agora a glicose vai pegar!!!

Como escrevi em outro post, o ex policial do Bope Rodrigo Pimentel, o Capitão Nascimento da vida real, esteve na Assembleia Legislativa do Estado de Minas no começo do ano. Ele fez uma apresentação bastante interessante sobre a situação da segurança pública no Rio de Janeiro. Recomendo a leitura (disponível no site da Imprensa Oficial de Minas, no Diário Oficial do dia 5/3/11, a partir da página 85), o diagnóstico que ele faz foge de lugares comuns e obviedades.

Mas não é esse o tema do post. O fato é que na vida devo ter falado umas duas ou três coisas espirituosas, e dessas duas ou três, uma foi completamente acidental.

Bom, o sr. Pimentel também soltou uma pérola acidental no seu pronunciamento, a qual compartilho com vocês:

O Governador nomeou uma delegada muito boa ontem no Rio de Janeiro, a delegada Marta Rocha, por quem tenho carinho. É uma pessoa doce e muito competente, conhece muito a polícia e tem uma história de lisura.

Então a delegada Marta Rocha é um doce de pessoa? Genial!

E que Zeus abençõe os taquígrafos.


Escrito por Philipe às 20h59
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20/11/2011

(Não) Comprando Água Destilada em BH

Há algum tempo comprei uma Brastemp Prêt-à-Porter, uma passadeira de roupa a vapor.

 É um bom aparelho, recomendo, poupa tempo e ajuda a conservar as roupas — mas isso fica para um outro post. A questão é que a máquina precisa de água destilada para funcionar. Quando eu a comprei eu já sabia disso, pois tinha lido o manual, online.

 

O que eu não sabia, pasme, era que é tão difícil arrumar água destilada para vender em Belo Horizonte.

Sim, numa cidade com mais de 2 milhões é bastante difícil arrumar algo aparentemente tão trivial quanto água destilada.

Cacoete de mineiro, um dos primeiros lugares que visitei para ver se encontrava essa água foi o Mercado Central. Pasme novamente, não encontrei em loja alguma. Sequer as lojas de essências e perfumes tinham para vender.

Seguindo a dica do manual, e sabendo que baterias antigas de carro precisavam de reposição constante de água (destilada), visitei alguns postos perguntando se eles tinham "água de bateria", que é a mesma coisa. Antigamente era comum. Muito para minha surpresa, muitos dos frentistas sequer sabia o que era água de bateria. Um, inclusive, me orientou a procurar uma lanchonete próxima (afinal, água mineral e destilada... deve ser tudo parecido, certo?).

Um outro lugar que me pareceu bom foi em distribuidoras de produtos químicos. Por exemplo, achei uma que vende água destilada com bom preço e qualidade (R$ 1,50 por litro) — mas que só vende no atacado. Impensável para mim comprar, digamos, 200 litros de uma vez só. Até consegui comprar algumas bombonas (palavra esquisita) com esse pessoal, mas precisei fazer uma espécie de triangulação (sugerida por eles, aliás), "vou-deixar-na-loja-do-fulano-aí-você-passa-no-dia-tal-entre-as-x-horas-e-as-y-horas-procure-o-sicrano", que deu dor de cabeça para todos os envolvidos, e que por isso não dá para repetir.

Farmácias também pareciam um bom lugar para achar água destilada. E elas geralmente tem... em ampolas minúsculas, o que não me serve. Mas dá também para comprar em maiores quantidades, com água manipulada a pedido... que é caríssima. Um litro de água destilada manipulada custa a partir de R$ 15! Considerando a quantidade de água que o aparelho requer, esse é um preço absolutamente proibitivo.

Uma rede local relativamente famosa até tem água destilada pronta para vender em bolsas. Só que essas bolsas deveriam ser usada para guardar resíduos nucleares, pois são quase indestrutíveis. Muito desajeitadas e difíceis de abrir e usar, são também relativamente caras (R$ 5 por litro, mais frete). E raras, às vezes a rede não tem para vender. Mas têm sido a minha saída padrão, até que encontre uma solução definitiva*. Pois é, missão pouco gloriosa essa de comprar água destilada em Belo Horizonte.

Não sabia que poderia ser tão difícil encontrar algo que parecia ser tão trivial.

Dicas e sugestões são, claro, bem-vindas.

* Afinal, "solução final" é algo terrível de escrever, correto? E não, não estou falando de solutos e solventes...


Escrito por Philipe às 21h11
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