Propaganda em Widescreen - Contrasenso ou "Economia Política das Agências de Publicidade" ?
Em artigo da Folha de São Paulo de 1995, reproduzido no blog chmkt, Washington Olivetto comenta algumas disfunções comuns na área de marketing e propaganda. Um trecho:
Talvez uma explicação seja o fato de muitos publicitários consumirem como informação mais publicidade do que vida real e a partir daí começarem a colocar publicidade em vez de vida nos seus trabalhos. Talvez também o fato de os publicitários conviverem exageradamente com outros publicitários, o que explica, inclusive, o grande número de campanhas que falam da própria propaganda, desconhecendo frontalmente o consumidor.
Lembrei dissohoje ao assistir a mais uma das campanhas da Petrobras exaltando o Lula pré-sal:
Assisti a essa peça hoje no intervalo do treino da Fórmula 1. Se você reparar, o vídeo não preenche a tela toda. Isso acontece porque ele foi feito para ser reproduzido em telas widescreen. Os monitores de computador à venda hoje em dia são em sua maioria widescreen, assim como as televisão de plasma e LCD.
Acontece, entretanto, que a maior parte do parque de televisões instalado não é widescreen. As TVs mais comuns ainda são as de tubo, com tela mais "quadrada" (com aspecto 4:3), conhecidas de todos nós. Ao exibir um vídeo feito em widescreen em tela 4:3, surgem as detestadas faixas pretas horizontais no topo e em baixo da imagem.
Acho que ao liberar a versão final da peça no formato widescreen, os publicitários da agência responsável pela propaganda queriam mais "fazer bonito" uns para os outros do que fazer algo que fosse adequado para a demodé TV de tubo do cidadão mediano. Esse é apenas um exemplo, mas existem diversos outros, de propaganda em widescreen.
Estou lendo o livro "Why We Buy", de Paco Underhill. Nele o autor estuda alguns aspectos que influem na decisão de compra do consumidor, como o layout e a sinalização gráfica das lojas, e como utilizá-los a favor das vendas de seu estabelecimento. Segundo Underhill, as orientações do livro são derivadas de estudos empíricos realizadas por sua empresa de consultoria, a Envirosell.
O livro é rico em exemplos de como pequenos ajustes, como mudar um item de local na prateleira, ou da entrada da loja para o fundo, podem influir enormemente em sua vendagem. Eu, porém, ficaria mais convencido se o autor incluísse também alguns exemplos de mudanças propostas que resultaram em fracasso. Melhor ainda seria alguma estatística consolidada. Ora, é fácil pegar um apanhado de casos de sucesso e apontá-lo como evidência da validade de um método. O fato é que evidência anedótica, ainda que seu valor, principalmente exemplificativo, é de reduzido valor científico.
Voltando ao livro. Seu mote é: vender sempre mais e mais. Por quê?
Alguém poderia indicar que, se uma pessoa compra alguma coisa, é porque espera que ela proporcione utilidade maior do que o seu custo de aquisição. Nesse caso, modificar as lojas para que os consumidores comprem cada vez mais seria otimizador de bem estar: mais itens seriam vendidos do que seria o caso caso as lojas não fossem otimizadas. Mais itens vendidos, mais necessidades satisfeitas, maior utilidade para o consumidor.
Uma outra opinião é a de que as pessoas são sujeitas a compras emocionais e instintivas, que muitas vezes compram coisas de que não precisam ou pelas quais não podem pagar (dizem por aí que dinheiro na mão é vendaval). Sob essa ótica, vender mais não seria necessariamente uma coisa boa. Consumir melhor, ou mais responsavelmente, seria melhor do que apenas consumir mais.
Essa é uma discussão complexa e longa, mas importante. Pelo que li até agora, entretanto, ela está ausente do livro. O mais próximo que o autor oferece de razão para a otimização das lojas é a seguinte (ele dá justificativas em outros pontos do livro, mas que retomam o mesmo tema):
Precisamos comprar... pois se não o caos virá! Essa edição do livro é de 1999. A crise mundial que experimentamos hoje em dia deriva, em parte, exatamente, de um "superconsumo" em alguns países de renda alta, em especial nos EUA. O que gera a prosperidade não é o consumo desmedido, e sim a produtividade de uma dada economia.
Mas o trecho que mais me chamou a atenção no livro até agora não tem muita relação com como vender mais coisas. É o trecho destacado abaixo:
Poxa, alguém se emocionar a ponto de chorar no supermercado porque não precisaria mais ficar regulando o dinheiro da comida é muito, muito humano. Eu lembrei disto aqui.
O Google é o rei dos anúncios direcionados na Internet. Por exemplo, se você procurar na busca Google por "sapatênis" você verá, além dos resultados da pesquisa, alguns discretos (mas eficientes) anúncios relacionados a calçados. A palavra chave é "contexto".
Agradecemos o envio de sua mensagem e a preferência pelos produtos NIVEA.
De acordo com seu relato, acreditamos que esteja se referindo ao NIVEA Sabonete Cremoso com Óleo de Amêndoas. Sendo assim, esclarecemos que a NIVEA, por uma decisão estratégica, optou em descontinuar essa versão no Brasil há aproximadamente dois anos. Isso explica a dificuldade para encontrá-lo.
Atualmente os Sabonetes em Barra NIVEA são comercializados em embalagens plásticas, também chamadas de flow pack e que oferecem preços mais acessíveis aos consumidores, além de possuir uma variedade ainda maior de itens, no momento, são 10 opções de Sabonetes nesta versão.
(...)
Atenciosamente,
(...)
SAC NIVEA Brasil
É uma pena quando uma empresa "mata" um produto de que você gosta, não? Nesse caso, só me resta o sabonete da pombinha mesmo. Mas fico feliz que tenham me respondido, afinal.
Os holandeses têm um ditado: "Deus fez o mundo, mas os holandeses fizeram a Holanda". A razão do ditado não é difícil de se entender: com uma parcela considerável de seu território abaixo do nível do mar, foi (e é) preciso um enorme esforço para que o país não seja submerso.
Eu sempre lembro desse ditado quando passo por um lote perto da minha casa no interior. É que o "lote" era constituído basicamente por um enorme buraco, com desnível de cerca de três metros em relação à rua. O lote deve ter uns 400 m2, logo o volume do buraco seria de aproximadamente 1200 m3. Ou seja, 1,2 milhão de litros.
Há uns quatro anos o dono do lote colocou uma placa com os dizeres "Aceito terra e entulho". Os céticos acharam que ele nunca conseguiria encher o buraco. Mas aí veio o boom da construção civil, que foi especialmente forte no interior de Minas Gerais. Com as obras todas, muita terra deslocada e muito entulho. Aos poucos o buraco foi enchendo, enchendo...
Por fim, parece que encheu. Olhe o que eu vi passando pelo tal lote hoje:
Onde havia a placa de "aceita-se entulho e terra", hoje há uma simpática placa de "fim". O espaço atrás é de um outro lote, e está no nível da rua de trás.
Se Deus fez o mundo e os holandeses fizeram a Holanda, o dono desse lote fez o lote.
Estudantes de medicina são todos chatos? Com certeza, não. A probabilidade de um estudante de medicina ser mais convencido do que o estudante universitário médio é grande? Provavelmente sim.
O fato é que alguns médicos, especialmente os mais jovens, levam para o consultório toda essa bagagem de status socioacadêmico que adquirem no campus, e que isso muitas vezes se reflete em seu atendimento. A manifestação mais comum desse fenômeno é um certo esnobismo e uma certa condescendência diante de seus pacientes.
Do Houaiss:
Condescendência:
2 - atitude deferente, atenciosa (sincera ou não) de um superior (em poder ou dignidade social, econômica, institucional, política etc.) para com um inferior ou pessoa assim considerada.
Tem coisa mais irritante do que médico falando com paciente como se ele fosse criança? Isso, claro, considerando que o paciente não seja, de fato, uma criança...