Matizes Escondidos

25/07/2009

Serviços Bancários Premium - Uma boa idéia?

Atenção: o post abaixo foi elaborado com base em meus conhecimentos restritos do mercado financeiro e bancário. Fique à vontade para, educadamente, discordar e apontar eventuais erros. Para fins de entretenimento, apenas.

Algo que me faz pensar é toda a fascinação em torno dos serviços bancários premium. Por serviço bancário premium eu tenho em mente os produtos "aditivados" oferecidos pelo bancos de varejo tradicionais para o clientes de renda média-alta (os de renda alta vão para o private banking). São os produtos como o Bradesco Prime, o Itaú Personnalité, o Banco Real Van Gogh e o Banco do Brasil Estilo. Embora o produto seja oferecido pelo banco, cabe ao cliente optar ou não pelo upgrade da conta.

A primeira suposta vantagem que geralmente é destacada no marketing desses serviços bancários premium é a disponibilidade maior de um gerente para assessorar o cliente. Vejam o vídeo:

Para que isso seja vantajoso é necessário supor que o gerente do banco tem incentivos compatíveis com o bem-estar financeiro de longo prazo do cliente. Isso não necessariamente é verdadeiro. O gerente tem metas e é geralmente remunerado, em parte, em função delas. Assim, se as metas (leia-se: incentivos) dele são compatíveis com as do cliente, perfeito. É o caso de quando ele ajuda um cliente muito endividado (quem ofereceu e autorizou o cheque especial?) e inadimplente a melhorar o perfil da dívida. Isso é bom para o cliente e é bom para o gerente, que melhora seu histórico de inadimplência e de recuperação de crédito.

Mas e se os incentivos do gerente são divergentes do interesse do cliente? Um exemplo cotidiano é a oferta de serviços bancários como programas de capitalização que, embora possam ser bons ou úteis para uma meia dúzia de sortudos, para a enorme maioria dos clientes é uma forma certa e segura de obter uma péssima remuneração para o dinheiro (o Itaú chama a capitalização de "maneira emocionante de juntar dinheiro", não de "ganhar dinheiro"). É rotina o gerente oferecer um produto-bomba desses em qualquer visita ao banco.

Um exemplo que acho mais importante e que se tornou mais relevante nos últimos tempos é o do rendimento dos fundos de investimento em relação à poupança. Com a queda da Selic, a poupança passa a render mais do que a quase totalidade dos fundos - mesmo aqueles destinados a quem possui grandes quantias. Isso é ruim para o banco, pois ele passa a ganhar menos com a taxa de administração. Exceto para aqueles investidores com grandes quantias e que tenham investido há menos de dois anos, o melhor no momento é passar (pelo menos parcialmente) a parte que rende juros do porfólio de investimentos para a poupança. Isso pode mudar quando a Selic voltar a subir ou caso seja aprovada a cobrança do imposto de renda sobre a poupança, mas no momento parece o mais sensato.

Continuando com a questão dos incentivos: outro dia alguém do meu convívio recebeu uma ligação do gerente do banco perguntando se ele poderia transferir os recursos investidos na poupança para um fundo de renda fixa. O fundo em questão tinha uma taxa de administração bem elevada, o que significaria perda certa de dinheiro. O que provavelmente acontece é que o banco deve ter instituído um índice de captação e retenção de recursos nos fundos, pela qual os gerentes devem ser avaliados. Ele não aceitou trocar o dinheiro de lugar - se ele tivesse aceitado, melhor para o banco, melhor para o gerente... e pior para o cliente.

Na propaganda acima, o cliente Van Gogh recebe por telefone orientações para um empréstimo imobiliário. Para a maioria das pessoas físicas, um empréstimo imobiliário é o maior que se costuma tomar durante a vida inteira. Além disso, é talvez o mais complexo também, em função da variação do valor do ativo, da oscilação das taxas de juros, do contexto nacional e internacional, do cenário político, etc. E a pessoa aceita ser orientada pelo gerente e por telefone? 

Então não necessariamente ter mais contato com um gerente é uma coisa boa. Ele tem seus incentivos, e o cliente tem os dele, e muitas vezes eles não são compatíveis. O ideal é que todos tivessem um certo conhecimento a respeito de finanças pessoais. Assim ficaria mais fácil perceber quando o banco/gerente oferece um mau negócio. Só que se você entende de investimentos, dificilmente precisará do gerente. E se não entende, é bom não confiar muito nele.

Uma susposta segunda vantagem é a oferta de agências exclusivas. Se você é um cliente premium, entretanto, espera-se que você use muito o Internet banking para consultar saldo, conferir extratos, realizar investimentos e pagar contas. Provavelmente um cliente premium precisa menos das agências que um cliente comum. A oferta de agências exclusivas (dependendo do banco) é uma das estratégia para justificar a maior taxa de manutenção de conta que eles geralmente cobram.

Uma terceira suposta vantagem é o acesso a produtos diferenciados de investimento. Um cliente premium tem acesso a uma quantidade maior de produtos de investimento, geralmente fundos. Em tempos de de Selic alta, o fato desses investimentos terem taxas de administração menores fazia deles uma boa opção. Atualmente, entretanto, com a taxa de juros em baixa, mesmo fundos com taxas baixíssimas de administração perdem para a poupança. E para quem tem quantias elevadas, o Tesouro Direto é uma alternativa geralmente superior. Do Uol:

Taxa de retorno de modalidades de renda fixa. Elaborado pelo Uol.

(Alguns bancos também oferecem ao cliente premium produtos exóticos, que não são ofertados ao cliente comum. Nem sempre são uma boa pedida.)

Quanto à oferta de crédito (cartões, empréstimos, etc), um cliente de renda média-elevada já o teria disponível de qualquer forma, mesmo em sua conta convencional.

Pelo exposto, no momento não vejo muitas vantagens objetivas em aderir a um serviço de bancário premium. Vejo, até, desvantagens objetivas, principalmente quando o banco cobra mais do cliente premium do que do cliente comum (é a regra, mas há exceções).

Há, entretanto, uma vantagem subjetiva, e creio que essa seja de longe a principal: status. A busca por status é uma das principais, talvez a principal motivação humana. E o impacto de se ter um cartão Itaú Personnalité, ou Van Gogh, ou Estilo, ou Black Platinum with Lasers, é inegável.


Escrito por Philipe às 16h19
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Invisible jetpack

Essa foto é de uma exibição de carros de corrida em Moscou.

Eu olhei para ela e pensei: "WTF?!? Como o cara foi parar ali em cima? Invisible jetpack?"

Invisible Jetpack - Foto por Alexander Natruskin - Reuters

Palpites, alguém? 


Escrito por Philipe às 14h33
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Blog Nivea - Update

Finalmente consertaram o "excessão" no blog Nivea. Eles, claro, apagaram meu terceiro comentário. Quer fazer Web 2.0? Então faça direito.

Nada de resposta do SAC a respeito do sabonete Nívea clássico ainda.


Escrito por Philipe às 14h27
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24/07/2009

Xingamento do Nelsinho Piquet na Home Page do Uol

O fato: o piloto brasileiro de Fórmula 1 Nelsinho Piquet brigou com seu chefe de equipe, Flavio Briatore, e disse que ele não entende p*rra nenhuma da diferença de desempenho entre o carro dele e o do companheiro, o espanhol Fernando Alonso.

O site do Tazio, que cobre esporte a motor e é parte do Uol, trouxe essa matéria às 13:29 de hoje. Por volta das 15:00, ela estava na home page do portal:

Piquet na home page UOL

Confesso que fiquei um pouco impressionado com a redação da chamada, afinal p*rra é uma palavra um bocado forte, mas estava ali, bem em destaque no principal portal brasileiro. Fica até ok no Tazio, visto que é um site um pouco mais escondido, mais direcionado, mas e as vovós que usam o Uol? Ninguém pensou nelas?

Imagino que o jornalista responsável por colocar a chamada na home page (vamos chamá-lo de Almeida) tenha pensado algo assim.

"Vou colocar a citação literal, palavrão e tudo! Todas as cinco letras. Afinal, estamos no século XXI. Os tabus ficaram lá no passado! Além disso, eu chamo a atenção do chefe. Mais um ponto para a minha promoção. Descoladérrimo!"

Pouco depois, o chefe do Almeida vê a chamada na home page. Um pouco nervoso, mas ainda sob controle, diz:

- Almeida, foi você que colocou essa chamada do Nelsinho?

Almeida, orgulhoso por ser tão ousado, diz:

- Sim, por quê?

- Tá louco, você tá com m*rda na cabeça? Que c*cete de chamada é essa? Você está cansado de saber que não pode colocar esse tipo de palavra na home page! Tira essa droga de lá agora! Vai escrever palavrão lá na casa do c*r*lho!

Almeida, claro, entende a mensagem.

Por volta das 15:30, a chamada para a reportagem em questão estava escrita assim:

Chamada alterada para a matéria com Piquet

Acho que podemos dizer que Almeida aprendeu uma lição hoje.


Escrito por Philipe às 19h05
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Nivea Brasil - Mais Comentários

Em minha missão para descobrir o que aconteceu com o sabonete Nivea clássico (ainda não recebi resposta do SAC), acabei topando com o Blog da NIvea do Brasil (atualmente parece que está fora do ar).

Assim como acontece com o site principal, parece que o pessoal do blog poderia ter prestado um pouco mais de atenção na hora de digitar. No começo do único post que li:

Dizem que

Daí que eu, anteontem, ao mesmo tempo em que comentava no meu blog sobre o sumiço do sabonete azul, coloquei um comentário no blog da Nivea, alertando, educadamente, para o erro de ortografia. Ora, não é isso que as empresas grandes querem? Que o consumidor crie value, conteúdo, de graça para elas, de maneira espontânea e Web 2.0, etc? Acreditava estar contribuindo para o blog deles, evitando que mais gente visse o pequeno deslize.

Muito para minha surpresa, eles tiraram meu comentário depois que ele havia sido publicado. Explico: os comentários do blog da Nivea não são moderados, ou seja, entram todos, que podem depois ser removidos manualmente pelo administrador do site. Isso significa que eles leram o meu comentário, o censuraram e, o pior, não arrumaram o "excessões". Quando se indicam erros de ortografia, de digitação, etc., em alguns blogs, eles não publicam o comentário, ou o retiram, mas corrigem o erro. Melhor ainda, alguns agradecem quando se apontam esses pequenos deslizes. Outros fazem até postagens em cima disso. Mas tirar o comentário e não arrumar o erro? Isso é muito ruim.

Mas como eu sou da Terra de Vera Cruz e sou persistente (é o que diz a propaganda oficial), eu recoloquei o comentário, hoje. Vamos ver se ele também vai cruzar o Aqueronte, ou se finalmente vão consertar o errinho.

Meu comentário no blog

PS: Coloquei o comentário às 7:41 (veja acima) - apesar de não escrito meu nome completo, ele fica claro a partir do meu e-mail, que coloquei corretamente, e que tem nome e sobrenome. Agora, enquanto termino esta postagem, já censuraram novamente o meu comentário! Inacreditável. E eu comentei de novo.

Segundo comentário no blog Nivea

Vamos ver quanto tempo esse terceiro comentário vai durar e se vão consertar o errinho que destaco.

Em um blog recreativo como o meu, erros de português são indesejáveis, claro, mas não têm muitas consequências. Mas em um site oficial de uma marca grande? Também não gostei da postura da empresa. Dependendo do atendimento do SAC (ou não-atendimento) e do desfecho da história do blog, eu paro de buscar o sabonete azul clássico, bem como de me interessar pelos demais produtos da marca. Afinal, se houver algum problema mais sério com o produto, é esse o atendimento que você irá receber.


Escrito por Philipe às 09h01
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23/07/2009

Tire a Mão da Minha Linguiça - Segunda Tiragem

Em breve: segunda tiragem do Tire a Mão da Minha Linguiça, um novo clássico (neoclássico?) da literatura luso-teuto-brasileira. Eu tive o prazer de ler o 'manuscrito', ainda antes do lançamento do livro. Não existe algo como um fio-central que conduza a obra, o que, claro é uma boa notícia para os CEOs com déficit de atenção. De fato, as histórias são deliciosamente aleatórias.

Quando disponível, encomende o seu!

 

PS: Este é um vídeo do publisher do Tire a Mão:

 


Escrito por Philipe às 18h35
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Coisa mais broxante do mundo

E o título de coisa mais broxante do mundo vai para...

Esta calcinha!

Coisa mais broxante do mundo! Calcinha de Darfur

A única chance disso funcionar seria se fizessem algo tipo isto, com as mulheres dos burocratas da ONU no lugar das mulheres gregas, usando a tal calcinha de Darfur. 

Daqui, via William Easterly.

Será que não é pegadinha? Que coisa mais bizarra!


Escrito por Philipe às 12h54
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22/07/2009

Glamour e Pegação ao $eu alcance - Marcas de Roupa

Dizem que quando alguém compra um produto, o que essa pessoa quer não é exatamente aquela mercadoria, mas o status e a sensação que ela provoca. Enquanto essa afirmação pode ser disputada no caso, por exemplo, de uma caixa de pregos, ela parece bem razoável para, digamos, roupas.

Com isso em mente, o que uma marca de roupa deveria fazer é tentar transmitir ao potencial comprador uma projeção, uma amostra do que seria (supostamente!) a sua vida com esses produtos - melhor, mais longa e com muito mais orgasmos (?). Por isso, o uso abundante da imagem, que serve, além disso, para cativar aquele público que, ao se identificar com a propaganda e seus personagens, acaba estabelecendo um vínculo também com a marca.

Von Dutch - Uso boné caro e pego mulher gata, tá ligado?!

Por isso, minha supresa ao ver a propaganda abaixo:

Jeanseria - Ou "como ficar desconfortável em uma foto". 

A propaganda parece direcionada principalmente ao público feminino, dado o destaque da modelo, em primeiro plano. A dúvida é: o que queriam comunicar com essa imagem? "Nossas roupas atrapalham e escondem a sua beleza natural". "Nossas roupas caem tão bem que lhe lembrarão fios de uma marionete operada no escuro por um portador do mal de Parkinson, bem no meio de um terremoto". "Em Paris, desconfortável é o novo confortável".

Enquanto isso, o rapaz atrás assiste atônito. Sem dúvida alguma ele pensa:

"Pobre moça! Toda torta. Sem dúvida ela não teve muita vitamina D quando era menina. Agora não adianta mais pegar Sol".

PS: Não clique no link acima.


Escrito por Philipe às 22h29
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21/07/2009

Sabonete Nivea Azul Clássico - Por onde anda?

Hoje vou falar mal da Nivea. Para quem é de outro planeta, a Nivea é uma empresa de produtos de cuidado pessoal.

Sempre gostei de dois produtos da empresa: o creme hidrante (apesar de não usar há um bom tempo) e do sabonete em barra (aquele azul). Especialmente do sabonete. Assim como no caso dos shampoos, o mercado se divide entre uma ou duas marcas e um resto amorfo de produtos indistintos - para os sabonetes o da pombinha e o Nivea se destacam, com preferência para a Nivea.  

Por isso, o choque: outro dia fui procurar o sabonete Nivea no supermercado e, tal como as máquinas de pinball, ele havia simplesmente sumido. Não a linha completa de sabonetes da marca, claro. Havia um monte dos de erva-doce e de outras essências. Comprei para experimentar. Péssimos. Cheiro de soda cáustica e tão bons para a pele quanto um Gessy ou Nips. Sem contar que a charmosa embalagem de papel foi trocada por uma de plástico vagabundo. O preço, entretanto, continuava alto, como nos bons tempos. O pior dos mundos!

Eis o sabonete bom, o azul clássico, em embalagem de papel:

Sabonete Nivea azul clássico. Imagem em pt.livra.com/item/id/8570583

Como poderia se tratar apenas de uma quebra de distribuição, ou do mix de produtos do supermercado, fui dar uma olhada no site da Nivea. Aparentemente, eles descontinuaram a linha do sabonete clássico, pois ela não está disponível na seção de sabonetes. Por isso resolvi enviar uma mensagem para a empresa questionando sobre o destino do produto. Só não contava com um pequeno detalhe.

 Nívea, pouco ética na comunicação por e-mail

Para mandar um e-mail para o SAC, você é obrigado a aceitar receber informações e notícias (leia-se propaganda) da Nivea. Não há campo para optar pelo não-recebimento dessa correspondência. Mesmo que a empresa alegue que as informações armazenadas pela empresa podem ser removidas a qualquer momento, esse é mais infortúnio para o usuário. Assim que (se) receber minha resposta, eu comento aqui sobre se é possível excluir o e-mail da lista de recebimento de spam propaganda, e se é fácil fazê-lo, bem como sobre o destino do sabonete azul clássico.

Aliás, mesmo uma visita rápida mostrou que o site não foi objeto de revisão cuidadosa...

Indentificação?

Me diga: é simplesmente terrível quando uma empresa descontinua o teu produto preferido, não? Ainda sinto falta deste aqui...


Escrito por Philipe às 21h12
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