Matizes Escondidos

27/06/2009

Loudness War - Regina Spektor

À medida que a venda de música por meio de CDs foi se popularizando no final da década de 1980 e início da década de 1990, o processo de mixagem e finalização, antes focado no público audiófilo, passou a privilegiar o apelo comercial dos discos. O grande problema é que essa mudança de orientação ocorreu em detrimento da audibilidade dos álbuns. A razão disso é que existe um trade-off existente entre o volume médio do disco e sua qualidade sonora.

Você pode fazer um álbum que soe sempre alto, o que facilita sua reprodução em ambientes com barulho (como dentro de um carro em movimento) e também sua divulgação no rádio (importante para tentar emplacar um artista), ou você pode fazer um álbum que soe de maneira soberba, mas não pode ter os dois ao mesmo tempo. Em especial, em um disco sempre alto a emoção e profundidade do áudio ficam comprometidas. Além disso, em um álbum muito alto o som pode ficar pura e simplesmente distorcido.

Era o início da infame guerra da altura, ou como é mais conhecida, loudness war.

Veja este vídeo imensamente instrutivo:

 

Agora veja um exemplo bastante dramático - compare a qualidade de um trecho do novo álbum do Metallica, Death Magnetic, no CD original (com a qualidade muito prejudicada devido à altura excessiva) e no jogo Guitar Hero (sem altura excessiva):

 

Eu ainda continuo comprando CDs de vez em quando, porque eles oferecem qualidade de som melhor que o MP3 (embora eu admita que a qualidade é apenas marginalmente superior quando o bitrate do MP3 é igual ou superior a 192 kbps), vêm com encarte (ainda que muitas vezes sem as letras, o que me deixa furioso) e, como livros, ficam muito bonitos na estante. Mas é duro gastar dinheiro para comprar um álbum que soa naturalmente mal devido a má mixagem ou altura excessiva.

***

A motivação desse post é que semana que vem sai no Brasil o novo álbum de Regina Spektor - Far, o primeiro após o sucesso de Begin to Hope (aliás, Regina Spektor é bem mais que Fidelity).

Será que ele soará bem? 

Vamos ver o histórico de Regina nesse aspecto. Peguei as duas primeiras faixas dos quatro álbum anteriores e usando o magnífico Audacity extraí a waveform do áudio das músicas. Ei-las:

11:11 (2001) - Não foi lançado por grandes gravadoras

01 - Love Affair

Waveform - Love Affair 

02 - Rejazz

Waveform - Rejazz 

Songs (2002) -  Não foi lançado por grandes gravadoras

01 - Samson

Waveform - Samson 

02 - Oedipus

 Waveform - Oedipus

Soviet Kitsch - 2004 - Primeiro lançamento por uma grande gravadora, mas ainda antes da consagração da artista

01 - Ode to Divorce

Waveform - Ode to Divorce 

02 - Poor Little Rich Boy 

Poor Little Rich Boy 

Begin to Hope (2006) - Lançada por uma grande, primeiro álbum com Regina já consagrada 

01 - Fidelity

Waveform - Fidelity 

02 - Better

Waveform - Better 

O que vemos nos desenhos acima é que os primeiros álbuns de Regina (mesmo o Soviet Kitsch, que saiu por uma grande gravadora), eram, embora longe de perfeitos, relativamente bem comportados em relação ao quesito "altura". Já o Begin to Hope, que saiu com Regina já consagrada, e por isso com um maior apelo comercial, é bem alto, o que prejudica a sua apreciação mais detida. Por isso, temo. Bem que o novo álbum poderia sair sem altura demais.

Quando eu o tiver em mãos, comento aqui. E não vou baixar os MP3s (bom, os FLAC, talvez...) 


Escrito por Philipe às 15h57
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Épou

"A Apple faz produtos para pessoas que querem liberdade. Sabe, um computador pessoal mesmo." 

Será?

Será mesmo? 

 


Escrito por Philipe às 10h34
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25/06/2009

Nunca antes na história da Internets...

Ei, você se lembra disto e disto? Se sim, parabéns, você faz parte da elite-branca-do-olho-azul-causadora-de-derretimento-financeiro-global, usuária de internet desde os primórdios. Lembrei por causa disto.

PS: Shame on you.


Escrito por Philipe às 22h11
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Cloróticofobia

Eu não sei você, mas eu morro de medo de gente feia de olhos verdes.

Dizem que os olhos são a janela da alma, que olhando nos olhos pode-se ver a pessoa por dentro, etc. O fato é que sempre tive a impressão que quem tem olhos verdes consegue ver mais da alma e etc., do que as pessoas com olhos escuros. Uma conhecida, que além de ter os olhos verdes, os tem muito, muito grandes, parece estar passando um raio-x sempre que olha para alguém (bom, pelo menos quando olha para mim).

Em pessoas bonitas ou normais esse fato não chega a atrapalhar. Mas em pessoas feias, sei não, parece que estão mapeando a sua alma, vendo suas vulnerabilidades, prontos para atacar e devorar, tal como um grande felino.

Felizmente, poucas pessoas feias têm olhos verdes, e poucas pessoas que têm olhos verdes são feias. Então esse é um susto muito, muito eventual.


Escrito por Philipe às 20h32
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R.I.P

Difícil acreditar que o Michael Jackson tenha morrido. Para mim, Smooth Criminal é o clipe mais legal já feito, para uma das músicas mais interessantes (um crescendo à moda de Bolero, respeitadas as devidas proporções), sem contar que é o puro zeitgeist para quem nasceu entre 1984 e 1986.

Annie, are you ok?


Escrito por Philipe às 19h54
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24/06/2009

Influence

Estou terminando de ler o excelente Influence -  The Psychology Of Persuasion, de Robert Cialdini. Apesar do título, o livro não é um manual de auto-ajuda. Nele o cientista examina as forças que levam as pessoas a se comportarem de determinadas maneiras em certas situações. Em especial, trata como essas forças, geralmente benéficas, podem ser manipuladas para facilitar que alguém aja contra o seu próprio bem-estar e para ganho de outrem. 

O livro é muito bem escrito, trata do assunto de maneira leve, fluida e, principalmente, responsável. Afinal, o assunto é delicado. Além disso, fornece vastas referências bibliográficas para quem quiser se aprofundar no assunto ou buscar os estudos originais descritos no livro.

Uma estratégia - de vendas - exposta no livro me chamou especialmente a atenção. Ela diz respeito ao poder da promessa e do compromisso. Nos EUA (e possivelmente fora também), alguns fabricantes de brinquedos investem pesadamente em propaganda semanas antes do Natal. Digamos que eles anunciem um determinado robô, cheio de funções e que custe salgados US$200. As crianças vêem* a propaganda, ficam doidos com o tal robô e fazem com que uma boa parcela dos pais prometa comprá-lo para o Natal.

Só que a empresa se utiliza de um esperto artifício: se ela calcula que se a demanda será de, digamos, robôs durante o Natal, ela fornece ao mercado apenas X/2 robôs. Ela fornece em quantidade suficiente, entretanto, um carrinho de controle remoto, também muito desejável, por iguais US$200. As crianças ficam tristes pelo robô, mas felizes e contentes pelo carro de controle remoto.

Só que depois do Natal o fabricante volta com a propaganda do robô. Uma parcela considerável das crianças vai ver o robô que eles tinham pedido, mas que a loja não tinha para o Natal, e pedir aos pais que o comprem. Os pais, claro, vão falar que compraram outros presentes no lugar do robô, etc. Aí boa parte das crianças vai lembrar aos pais que eles prometeram comprar o robô. Aparentemente o argumento da promessa é irresistível para uma boa parcela dos pais (devem ser os mais "pastel" e cheios de dinheiro) e eles acabam comprando o tal robô, mesmo já tendo comprado outro brinquedo caro para o Natal.

O poder de manobra desse fabricante, claro, depende do seu poder de mercado. Essa estratégia pode funcionar bem para uma Barbie (afinal, Barbie original só tem de uma marca), mas não para um brinquedo mais genérico, feito por diversos fabricantes (digamos, uma bola de futebol), para o qual seria auto-derrotadora.

---

O livro do Cialdini também foi publicado em português. Ele sofreu, como é tradição, um "aprimoramento" do seu título.

Ele saiu como: "O Poder da Persuasão: Você Pode Ser Mais Influente do que Imagina". Ora, a obra é essencialmente "defensiva": como se proteger das tentativas de manipulação que encontramos cotidianamente. Quem comprar o livro pela capa, em especial pelo subtítulo, (você pode ser mais influente...) achando que vai virar o mestre da lábia, provavelmente vai se decepcionar. 

* Orgulhosamente velha ortografia. 


Escrito por Philipe às 20h46
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23/06/2009

Títulos Aprimorados: Matizes Escondidos - Um Blog Do UOL Blog - Ponderando o Imponderável - Atchim

Por que será que as editoras que trazem para Brasil livros que fizeram sucesso lá fora sempre dão um jeito de "aprimorar" o título das obras? Freqüentemente esse "aprimoramento" do título não nada a ver com o conteúdo do livro.

Um exemplo é "The Black Swan - The Impact of the Highly Improbable" - já um conjunto de título e subtítulo de um tamanho respeitável (42 caracteres). Em português, o livro saiu como "A Lógica do Cisne Negro - O impacto do altamente improvável - Gerenciando o Desconhecido", com prolixos 74 caracteres. Além disso (quem leu o livro me diga se discorda), Taleb em nenhum momento fala como gerenciar o desconhecido. Aliás, esse é o tipo de atitude que ele critica no livro. Ele fala no máximo em como tentar se preparar para eventos de grande importância difíceis de se conceber. Minha opinião é que Taleb ficaria furioso em saber que o subsubtítulo do livro em português saiu com esse gerenciando. Aliás, parece que no Brasil (se bem que lá fora tambémtenta-se vender qualquer coisa jogando uma "gestão" no meio.

Um outro exemplo: The Moral Animal - Why We are The Way We Are - The New Science of Evolutionary Psychology (72 caracteres). O livro saiu em português como O Animal Moral: Porque somos como somos: a nova ciência da psicologia evolucionista - A infidelidade está em nosso DNA?, com impressionantes 100 caracteres. O pior é que o grande chamariz da capa é a pergunta "a infidelidade está em nosso DNA?". Inclusive esse subsubtítulo saiu na capa com destaque maior do que o subtítulo original "por que somos como...". E o leitor que comprar o livro por causa dessa pergunta vai ficar chateado, pois ela não admite uma resposta simples como "sim" ou "não". O mais próximo de uma resposta resumida e cientificamente honesta para essa questão é dizer que estratégias mistas de reprodução foram (e provavelmente ainda são) evolutivamente estáveis no nível da espécie humana, mas que isso não quer dizer muito sobre o comportamento de um indivíduo em particular. Para o CEO com déficit de atenção que comprou o livro por causa da instigação da capa, não deve ser nem um pouco satisfatório. 

E por aí vai. 

Bom, pelo menos as edições brasileras não costumam vir com aquelas "recomendações" (excelente! compre este livro! não consegui largar!) irritantes na capa... 

Eu já comprei o livro. Não precisam me convencer que ele é bom. 


Escrito por Philipe às 20h47
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21/06/2009

Chamadas Desnecessárias

Chamadas desnecessárias. Da home page do UOL de 21/06/2009:

Seria notável se fosse: "Luciano prefere locais muvucados, brochantes e dantescos".


Escrito por Philipe às 08h33
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