MP3, WAV e FLAC
Da Folha de São Paulo do dia 25/3/2009, também disponível para leitura on-line aqui para assinantes UOL e da Folha, entrevista interessante sobre música digital. "Quem vai morrer, logo, logo, é o MP3"
DA REPORTAGEM LOCAL
Produtor de algumas das bandas mais populares do país, como Charlie Brown Jr. e NX Zero, Rick Bonadio acha "lamentável" o fato de a música ser ouvida hoje em MP3, que tem "qualidade ruim", em aparelhos "também ruins". Leia trechos da entrevista que ele concedeu à Folha. (RC)
FOLHA - A produção musical atual considera que as canções serão ouvidas em fones e caixas de baixa qualidade? RICK BONADIO - Desde a época do vinil, eu já pensava nisso por causa da fita cassete, da transmissão de rádio. A gente já se preocupava com a maneira como a música ia soar nos diversos tipos de aparelhos. Se você parar para pensar que as coisas vão ser ouvidas em MP3, em caixinhas de PC, vai acabar abrindo mão do melhor que pode tirar de um som. Não me importa onde a pessoa vai ouvir a música. Vou fazer o melhor para aquele som sair do estúdio com a melhor qualidade possível. Mas lamento bastante o fato as pessoas estarem ouvindo tudo em MP3, que é uma qualidade ruim, em aparelhos também ruins. A geração dos meus filhos não tem muita noção do que é um som bom, e isso é lamentável.
FOLHA - Um leigo consegue diferenciar uma faixa de um CD de um arquivo em MP3? BONADIO - Tendo um aparelho bom, é muito fácil. Mas numa caixinha de computador você não vai perceber a diferença.
FOLHA - O ritual de ouvir música mudou? BONADIO - Hoje, é apenas mais um entretenimento. Se você ouve música enquanto mexe no MSN e no Orkut, não dá para curtir o suficiente. Você não presta tanta atenção à música nem dá tanto valor a ela. Mas isso é fruto da evolução. A molecada de hoje é assim. Eles já nascem com a cabeça desse jeito, e isso não vai mudar.
FOLHA - O CD está prestes a ser extinto? BONADIO - Acho que ele vai ter o seu espaço, mas vai dividi-lo com o MP3 e com a música em WAV, com a mesma qualidade do CD, mas distribuída pela internet. Eu acho que quem vai morrer, logo, logo, é o MP3. Por uma questão de evolução natural de tecnologia. O último iPod que eu comprei tem 120 Gbytes, cabe bastante música em WAV. Os arquivos em WAV são maiores, mas a internet também vai ficar mais rápida. Para que você vai querer o MP3 se pode ter algo com muito mais qualidade?
FOLHA - O formato de álbum também corre risco? BONADIO - Já está acabando, e é totalmente desnecessário. A gente está voltando para o início, para a época dos compactos. Acho ótimo. O artista tem que ter liberdade de produzir de acordo com a demanda do público, e não por imposição do mercado, que era o caso do CD. Você lança duas, quatro músicas, até ter material suficiente para um disco inteiro.
Um arquivo em WAV, na definição padrão de CD, tem 1411 Kbps por segundo. Um MP3, por sua vez, costuma ter entre 96 e 256 kbps, o que resulta em arquivos menores. Entretanto, a compactação do MP3 implica em perda de alguns aspectos acústicos do som. Geralmente essas perdas são pequenas, mas são perceptíveis para o ouvido treinado. A compra do CD garante a melhor qualidade de som, mas implica, além do desembolso monetário, o risco de degradação física da mídia: marcas de dedo, arranhões, defeitos de fabricação, etc. Falo disso porque ontem eu comprei um CD (novo) que veio com falhas na prensagem que, embora feias esteticamente, não atrapalham a reprodução do álbum. Querendo testar o disco, o extraí em WAV para ver se havia falhas de reprodução. Não havia. De qualquer forma, cresce na internet a conversão de discos para formatos de áudio com compressão mas sem perda de informação. Entre eles, o mais famoso é o FLAC, que permite redução de cerca de 45% no tamanho do arquivo de áudio sem qualquer perda de qualidade. Ou seja, permite que você baixe da Internet e queime um CD que é idêntico, em termos de som, ao que é vendido na loja, o que não seria possível com MP3. É, ainda, ideal para fazer backup dos CDs que você acabou de comprar. Caso a mídia se danifique, é só criar um CD novo a partir da cópia FLAC que você fez.
Escrito por Philipe às 17h44
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Mostra de Filmes Romenos no Palácio das Artes
No Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes), do dia 23/3 até 07/4, mostra de filmes romenos. Já assisti "A Leste de Bucareste" e achei muito burocrático, sem desenvoltura. "Como Eu Festejei o Fim do Mundo" é muito bom, embora requeira um pouquinho de conhecimento sobre a história contemporânea da Romênia. Por fim, "4 Meses..." ficou em cartaz pouquíssimo tempo em BH e vou poder assistir. Ingressos a preços populares. A mostra Cinema Romeno Atual, que o Cine Humberto Mauro apresenta entre 23 de março e 07 de abril, introduz as obras de três dos mais importantes realizadores romenos contemporâneos - Corneliu Porumboiu, Catalin Mitulescu e Cristian Mungiu. As produções do também chamado Novo Cinema Romeno, surgem após um período de transição tanto no regime econômico, quanto no político, durante os anos 90.
Os três títulos que compõe a mostra, receberam prêmios relevantes no Festival de Cannes: A Leste de Bucareste (2006), de Corneliu Porumboiu, levou a Camera d’Or, Como Eu Festejei o Fim do Mundo (2006), longa de estréia de Catalin Mitulescu, rendeu prêmio no Un Certain Regard para a atriz Doroteea Petre e, por fim, 4 meses, 3 semanas e 2 dias (2007), foi agraciado com a Palma de Ouro 2007. Sinal dos tempos. Os filmes apresentam um olhar particular ao tratarem de uma Romênia marcada pelo regime comunista, em que as histórias são permeadas por caminhos e dramas individuais, vividos por personagens comuns em situações incomuns. O que é reforçado por uma estética que se aproxima à empregada pelos neo-realistas, como tomadas longas e diálogos deliberadamente naturais.
Escrito por Philipe às 08h00
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