Matizes Escondidos

16/02/2008

Risco online

Como o excelente site de humor Cracked mostrou, aqui, e como todos nós sabemos, anúncios de internet são pouco, pouco relevantes no geral. Alguns beiram o chalatanismo.

Os anúncios direcionados (tipo o Goodle Ads) não são exceção. As poucas vezes em que eu cliquei um link de anúncio direcionados (com antispyware atualizado, claro), sempre me deparei com sites pouco relevantes. Hoje fiz uma experiência com um anúncio que me soou meio século XIX: "invista em Belarus!". Cliquei e fui conferir.

Rapidamente (lá pela segunda frase) e com meu conhecimento de expert em Belarus (li o perfil do país há alguns meses no Factbook) eu vi que o site era uma furada completa. E eles sabem disso, olha só o disclaimer (termo de responsabilidade) deles:

 

Risco de Investimento

 

Agências e bancos sérios dão conselhos úteis como rendimento passado não é garantia de rendimento futuro ou, mais relevante ainda, os investimentos apresentados apresentam risco de rendimento negativo e não apresentam qualquer espécie de garantia. Pontos pela honestidade.

Agora, quando alguém escreve que os conselhos de investimento de sua empresa devem ser encarados como diversão apenas, [faz voz de capitão Nascimento] aí, meu filho, pode desconfiar que a coisa não é boa.

 

Continuando a passear pelo site, busquei alguma informação sobre algum outro país o qual eu conheça um pouco (i.e, Brasil). E, olhem só, o tal site tem uma página sobre o Brasil.

 

Brasil?

 

A página começa bem. A primeira imagem é de uma ponte, bonita, moderna. E que fica na Grécia. Sério, essa ponte não fica no Brasil. Horrível!

Daí o site fala que o Brasil foi fundado pelos portugueses em 1500. Hum. Para quem estudou algo de formação nacional, sabe que o Brasil, como entidade, não existia antes dos portugueses. Mas tampouco foi meramente "fundado" pelos portugueses, quanto mais em uma data certa, como o ano de 1500. Mesmo o nome de Brasil só veio mais tarde.

 

Na próxima linha, um erro de digitação. É ruim um erro de digitação em um blog (no meu, com certeza, há varios, só reviso posts que considero especialmente relevantes), mas em um site (supostamente) comercial, é inaceitável!

A política de privacidade do site: você não pode copiar nada do site, a não ser para uso pessoal ou ainda com a devida referência ao site. Ok, isso é o copyright, não política de privacidade.

Achei esses "pequenos" problemas em cerca de dois minutos no site. Se ficasse mais, provavelmente acharia mais.

***

E isso tudo em uma empresa de dica de investimento. Cara, vamos lá: se alguma ação fosse especialmente boa, alguém já teria comprado. Você chama isso de pessimismo. Eu chamo de hipótese do mercado eficiente.

Mais sobre "bater o mercado" no blog do Mankiw, aqui.

Ah, o site esquisito aí em cima, caso você queira conferir, é o dábliodábliodáblio ponto best way to invest (sem os espaços) ponto com. Não escrevi discursivamente de piada, é que não quero que esse post seja visto por aí via Google.


Escrito por Philipe às 18h08
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15/02/2008

Capital social no condomínio

O Claudio, do De Gustibus, parece estar com a idéia de uma newsletter na cabeça. O primeiro volume foi dedicado à escolha de um imóvel: o que levar em consideração, economicamente falando, na hora de escolher onde morar?

Com essa questão em mente, eu fiz um pequeno comentário sobre "capital social" em condomínios. Ei-lo.

Condomínios, rotatividade e capital social

Um possível fator a ser levado em conta quando da escolha de um prédio para se morar é o nível em que se encontra o “capital social” do prédio. “Capital social” é um termo que tem muitas definições, algumas delas, na minha opinião insatisfatórias (talvez por causa do “social”, que convida todo tipo de atrocidade metodológica). Penso “capital social” como na definição de Putnam: simplificadamente, a participação na vida pública e a confiança que os indivíduos possuem uns nos outros. No caso, a sociedade é o condomínio.

Um dos fatores, na minha opinião, a influenciar sobremaneira o capital social de um prédio é a sua rotatividade.

Suporemos um prédio com baixa rotatividade de moradores. Isso é, cada apartamento tende a ter os mesmos moradores durante um grande período de tempo. Com a menor rotatividade, cada morador tem mais oportunidade de conhecer os outros. Conforme explica o psicólogo norte-americano Philip Zimbardo1, a anonimidade é um fator que contribui para a prática de condutas anti-sociais, como o vandalismo. Ou seja, em ambientes com elevado grau de anonimade, é esperado que o grau de capital social seja reduzido. Assim, pela mesma lógica, talvez em prédios com baixa rotatividade de moradores, a anonimidade seja reduzida, o capital social seja elevado, o que criaria um ambiente mais condutivo ao bem estar.

Esse pensamento parte do pressuposto que os indivíduos não gostem de condutas anti-sociais. Talvez não seja o caso, por exemplo, de um contrabandista. Nesse caso, ele poderia buscar um prédio com maior rotatividade, com maior anonimidade, que permita a ele conduzir seus negócios com discrição.

Além disso, se as pessoas preferem um ambiente não-degradado, por que praticariam vandalismo? Talvez o vândalo aufira mais prazer fazendo suas diabruras (obtendo, assim, diversão “concentrada”) do que perca em questão de conforto (se os custos da degradação são “dispersos”).  Assim, se eu jogo um ovo pela janela, eu sozinho tenho a diversão da travessura, enquanto o custo (limpar o ovo ou suportar o seu cheiro) é divido entre todos os moradores. O problema está quando todos fazem esse cálculo, e o ambiente rapidamente está todo degradado. No edifício Maletta, por exemplo, não é raro ver moradores jogando suas sacolas de lixo no vão central do prédio. Se os morados são todos desconhecidos (anônimos) entre si, é difícil ver como alguma espécie de coerção social (informal) possa vir a moderar esse tipo de comportamento.

Uma outra possível vantagem de um prédio de baixa rotatividade é que nele o morador médio prevê continuar por mais tempo do que em um prédio de alta rotativade. Assim, ele estaria disposto a investir mais em “bens públicos” condominiais, como, por exemplo, uma cerca elétrica ou a reforma das fachadas.

Talvez daí derivemos uma policy implication: se a administração de um condomínio crê que a rotatividade é ruim, poderia determinar que qualquer contrato de compra ou locação em seu prédio preveja um tempo mínimo de permanência, de, digamos, X anos.

Essa limitação diminui a atratividade do prédio, pois reduz a liberdade de um potencial locatário/comprador, mas pode contribuir para elevar seu capital social, ao reduzir a rotatividade. Assim, seria o caso de se tentar estimar um tempo mínimo ótimo (caso esse exista) de permanência, que maximiza o capital social do condomínio com a menor perda de atratividade possível.

De fato, acho que algo como capital social e rotatividade passa na mente dos administradores de condomínio. Por exemplo, no centro de BH, existem diversas “repúblicas” (habitações coletivas de jovens geralmente não aparentados entre si), geralmente compostas de alunos de cursinho. Sendo o cursinho uma atividade relativamente rápida, geralmente de um ano, embora existam os de seis meses ou menos, essas repúblicas têm um alta rotatividade de moradores. Muitas administrações de prédios residenciais no centro de BH proíbem a instalação de repúblicas. Como dito acima, entretanto, elas existem, ou seja, a regra muitas vezes não é cumprida.

Nota

1- Ver, por exemplo, A Situationist Perspective on the Psychology of Evil: Understanding How Good People Are Transformed into Perpetrators., disponível em http://philipe.maciel.sites.uol.com.br/blog/Evil.pdf


Escrito por Philipe às 19h24
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Viaje (sic) de jato particular!

Achado no orkut, num fórum de uma comunidade de acompanhantes:

Não perca mais tempo com pobretão!

É por isso que um conhecido meu fala: "Vou casar agora, antes de passar no concurso bom, porque depois vai encher de moça interesseira".

Não digam que o moço é exagerado. :)


Escrito por Philipe às 19h20
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13/02/2008

Já uma nota de cem deve custar bem menos do que R$100. Aliás, você já viu uma? São raras

Lenda urbana ou fato? A moeda de um centava de dólar realmente custa mais de um centavo para ser fabricada? Descubra aqui.

Como eu tinha escrito há eras, as moedinhas de um centavo (de real e de dólar) representam o grande potencial da grande nação do sul, que sucederá à grande nação do norte. Ou não. Aqui.


Escrito por Philipe às 21h25
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12/02/2008

O Amor é Lindo

Eu instalei no meu blog o Google Analytics, que dá uma série de ferramentas de que o UOL não dispõe. Entre elas, de onde vêm os visitantes do blog, quantos são eles, quanto tempo passam no site, quais palavras chaves usam para achar as páginas, etc.

Acho bem legal ver as palavras chave que as pessoas usam e que acabam resultando em visita ao blog. Eu não costuma comentar as coisas que aparecerem no relatório, mas uma esses dias me chamou a atenção: "...do meu passado vc faz pouco caso,mas só pra vc sabe e sofrer um bocado: não quero mais comer você!!!!"

Aliás, essa referência aí de cima me lembrou de um poema, já citado aqui:

One Perfect Rose, por Dorothy Parker

A single flower he sent me, since we met.
    All tenderly his messenger he chose;
Deep-hearted, pure, with scented dew still wet--
    One perfect rose.

I knew the language of the floweret;
    "My fragile leaves," it said, "his heart enclose."
Love long has taken for his amulet
    One perfect rose.

Why is it no one ever sent me yet
    One perfect limousine, do you suppose?
Ah no, it's always just my luck to get
    One perfect rose.


Escrito por Philipe às 23h11
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11/02/2008

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.

Em 2000, final do ano, eu estava na UNI-BH Lagoinha, acompanhando minha mãe, que estava acompanhando meu irmão, que não acompanhava ninguém. Meu irmão estava fazendo vestibular seriado, ou seja, eu fiquei lá umas boas três ou quatro horas o esperando terminar.

Pois bem, nesse ínterim, passeando pela faculdade, eu achei uma livraria que também vendia livros usados. Em 2000 eu estava na oitava série, e foi nessa série que eu estudei a Revolução Russa. Não sei bem as razões (a minha professora de história da oitava série foi a única que não era vermelha de coração), mas o fato é que o estudo da Revolução despertou em mim uma grande curiosidade pela URSS e pelo bloco soviético. Quando vi um livro com uma baita foice e martelo cravejada de diamantes, na capa, aquilo me chamou muito a atenção. O livro era velho, usado: Nomenklatura: como vivem as classes privlegiadas na União Soviética. Eu não comprei o livro, não tinha dinheiro, não pedi para minha mãe (-manheeeeê, me compra o livro sobre política na URSS?). Dificilmente eu teria lido-o naquela época, mas o nome do livro ficou na minha cabeça. Depois de um tempo, eu comecei a ficar com vontade de lê-lo. Mas seria muito difícil achá-lo. 

Dia desses, eu topei com alguém citando um livro sobre a nomenklatura. Eu peguei o nome do autor e fui buscar no www.estantevirtual.com.br, um buscador de livros em sebos. O autor citado era o do livro que eu tinha visto sete anos atrás. Daí eu vi que tinha um sebo em BH que tinha o tal livro. E pertinho de onde eu fico em BH. Fui lá e o comprei. E hoje, sete anos depois, eu tenho uma cópia. =)

Uma das coisas boas de crescer e ter o próprio dinheiro (ainda que pouco) é este: poder compensar as frustrações da infância e adolescência. O seu pai não comprava o Tandy que vinha naquela embalagem cara? Vai lá e compra (isso se ainda vender). Comprar o livro foi uma maneira de resolver uma pequena frustração.


Outra frustração recentemente resolvida foi zerar (terminar) o jogo Super Metroid, de Super Nintendo. O jogo é grande e difícil, complicado zerar no vídeo game, ainda mais alugando a fita por dois dias, como eu fazia quando moleque. Daí que eu arrumei a ROM e zerei no emulador. Com um save state aqui e outro acolá, com uma ajuda eventual de walkthroughs, mas foi o suficiente para ficar feliz em fugir do planeta Zebes, depois de achar a larva metroid. =)


Eu estava procurando uma imagem do tubo caro de Tandy para ilustrar a primeira parte do post... Eu não achei o creme dental, mas achei este computador aqui. Aprenda a amar a lei de Moore. =D


Escrito por Philipe às 23h29
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