Matizes Escondidos

18/01/2008

Política na pastelaria

Pintura Pastel. De http://www.flickr.com/photos/olechka01/150954283/

Outro dia eu estava na pastelaria, escolhendo quais pastéis eu iria comer. Eu não sei vocês, mas eu acho o pastel de carne o pior de todos. Sabe como é, aquela carne moída, mesmo que beem quentinha, não me atrai muito. Quando leva-se em consideração que nem sempre ela vem quentinha, bom, vocês podem imaginar. Eu prefiro qualquer outro recheio. O de carne moída simplesmente não desce, para mim. Além de tudo, o bendito pastel de carne costuma ser o mais barato de todos.

Assim, muito para minha surpresa (e fiquei positivamente surpreendido), nessa pastelaria em que eu estava, o pastel de carne o mais caro. Na hora, imaginei o dono da pastelaria sentado, sozinho, num domingo à noite, pensando:

- Ora, todos adoram comer o pastel de carne. Mas ele não é tão gostoso quanto os outros! As pessoas são tolinhas em comê-lo, em vez do napolitano ou de palmito. Será que elas não sabem o que é melhor para elas? Preciso fazer com que elas descubram que os outros pastéis são melhores, é para o próprio bem delas. Mas não posso simplesmente tirar de cardápio o pastel de carne, qualquer pastelaria que se preze tem que tê-lo... Seria um tiro no pé tirá-lo de menu. O que posso fazer é colocar o pastel de carne mais caro do que todos os outros, inclusive mais caro do que o de palmito, que é o mais cara para fazer... Sendo o pastel de carne o mais caro, as pessoas irão querer experimentar os outros, que eu sei que são mais gostosos e melhor para elas. Assim que provarem dos outros, não comerão mais do de carne, e ficarão surpresos como, depois de tantos anos, nunca perceberam o que era melhor para eles.

Autoritarismo, devaneio, tolice ou paternalismo libertário? Você decide.

Pastel frito do Luiz. http://www.flickr.com/photos/tamine/505329678/


Escrito por Philipe às 10h32
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Método Científico

Um badalado concurso a ser realizado em Minas Gerais abriu vagas para policiais (não-militares) de uma determinada instituição. O edital do concurso traz uma ficha de quesitos psicológicos a serem avaliados nos candidatos, como impulsividade, inteligência geral e energia vital.

O quê? Energia vital? Pois é, olhem com seus próprios olhos!

Em chinês, energia vital é o chamado "qi". Da wikipedia: Qi (...) is a fundamental concept of traditional Chinese culture. Qi is believed to be part of every living thing that exists, as a kind of "life force" or "spiritual energy".

Quero saber como eles vão fazer para medir energia vital disponível e circulante... Difícil, hein? Tem um pessoal por aí que entende do assunto:

Na série Dragon Ball, todos os seres vivos possuem uma energia no corpo chamada Ki. Os guerreiros da série sabem da existência dessa energia e a controlarem permitindo usar grandes poderes. Todas as habilidades consideradas impossíveis para pessoas normais fazerem são realizadas utilizando o Ki. Os raios disparados pelos personagens são energia Ki.

Início da série

Goku (pequeno): 10
Goku (gorila): 100

Após a morte de Raditz

Mestre Kame: 139
Kuririn: 206
Yamcha: 177
Tenshinhan: 250
Piccolo (com roupa pesada): 329
Tartaruga: 0,001

Queria saber onde os policiais a serem recrutados irão se encaixar nessa escala...  ^^


Escrito por Philipe às 09h45
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17/01/2008

Cada dia de É o Tchan deveria reduzir um dia na pena

Vocês viram este clipe haqui, em que diversos detentos de uma cadeia filipina são mostrados dançando Thriller?

Pois é, leia a história por trás do clipe nesta reportagem.

Dados os conhecidos benefícios da prática de atividade esportiva para a saúde, parece mesmo uma boa idéia. Quem sabe aquelas comunidades do orkut do estilo "preso tem que trabalhar!" vão em breve sofrer concorrência de outros do tipo "preso tem que dançar"...


Escrito por Philipe às 11h50
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Dependência de trajetória

Reportagem esclarecedora no International Herald Tribune, aqui, sobre como subsídios podem gerar violência, desperdício, rent-seeking, corrupção, etc, etc, etc... Ok, políticas de subsídios podem ter a sua importância e o seu lugar, mas não é esse o caso descrito na reportagem.

"The most corrupt sector in the country is the provisions sector," said a government inspector who asked not to be identified for fear of punishment. His job is to go to bakeries to ensure they are actually using the cheap government flour to produce cheap bread that is sold for the proper price. "There is a great deal of corruption. The amount of money in it will make anyone accept to be bribed."

The inspector explained why the system is so open to abuse. The government sells bakeries large bags of flour for 8 pounds, or $1.50. The bakeries are then supposed to sell 20 pieces of bread for 1 pound. At that rate, the baker can make the equivalent of about $10 from each sack. Or the baker can simply sell the flour on the black market for $15.

If the inspector, who said he was paid $42 a month, certifies that after three months the baker has faithfully used the flour to bake bread, the baker gets a refund of about a dollar for every bag of flour he has purchased. A baker who goes through 40 sacks a day over the three-month period gets back around $3,300 - a sum, this inspector said, that could easily be shared with the underpaid inspector (the same one who verified there were no violations).

(...)

So they fight for cheap bread. They begin gathering outside the bare one-room bakery at about 11 a.m. everyday except Friday, the day of prayer. Over the course of an hour, 14-year-old Mahmoud Ahmed managed four trips to the window. His job, he said, was to ensure a steady stream of bread for a nearby food vendor, who then resold it in sandwiches. It appeared the baker let him push his way to the front to get bread before others. Was there a deal going? Mahmoud would not say.

Down the road, five blocks away, Muhammad Abdul Nabi, 12, was selling bread, the same kind of bread, from a makeshift table for more than double the price of the bakery. There was no line.


Escrito por Philipe às 11h25
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16/01/2008

Uni-vos e talz, vol XXII

Como eu já tinha comentado antes (aqui), os países que eram comunistas apresentam as maiores taxas de suicídio do mundo. Não sei porque as coisas são assim, nem se é mera coincidência.

Dada a impossibilidade de se realizar um experimento controlado tratando desse fenômeno, seria interessante dispor de um experimento natural que tratasse do assunto. Por exemplo, dividir um país (mesma cultura, mesma etnia), sendo uma parte do país comunista e a outra, capitalista (em maior em menor grau) e comparar as taxas de suicídio.

Esse experimento natural, claro, existe. Podemos citar o caso da Alemanha, que foi divida em uma porção ocidental e outra, oriental. Entretanto, não tenho os dados de suicídio para a fazer uma comparação mais criteriosa (antes da divisão, durante e depois).

Entretanto, achei um estudo do Deustche Bank (aqui), que compara a taxa de satisfação com a vida entre as diversas regiões da Alemanha. Os resultados são compatíveis com a evidência anterior: as regiões que compunham a finada República Democrática Alemã (RDA), comunista, apresentam, hoje, um grau de satisfação menor com a vida.

Vou reproduzir um mapa do estudo, juntamente com um mapa da divisão da Alemanha. Reparem como as regiões menos felizes (azul mais claro) coincidem com as regiões que compunham a RDA.

               Divisão da Alemanha antes da reunificação                            Distribuição de felicidade na Alemanha

Como pode-se ver, há uma grande coincidência.


Escrito por Philipe às 17h43
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15/01/2008

Humbling Moment #2

Outro dia eu achei um livrinho que veio junto um par de tênis que comprei há algum tempo, com dicas de como conservá-lo, como lavar, etc. Lendo o livrinho, eu me deparei com um trecho assim: "se você tiver mais de um par de tênis, adote o revezamento."

Pois é, galera. Se você tiver mais de um par de tênis. As coisas podem ser bem complicadas (e são, para muita gente).

Pense nissa na próxima vez em que for reclamar da vida. Isso vale inclusive, claro, para mim.


Escrito por Philipe às 13h07
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14/01/2008

A variedade feliz de Capitalismo

Mais uma publicação legal do Deutsche Bank: "The Happy Variety of Capitalism", disponível aqui.

O autor analisa uma amostra de 22 países da OCDE, e os classifica em quatro grupos: os de capitalismo mais feliz, os de capitalismo menos feliz, os infelizes, e os do extremo oriente, que não se encaixam em nenhuma dessas definições.

O autor identifica diversas características que os países de capitalismo feliz têm em comum. Daí, ele faz uma análise que mostra que essas características estão associadas com uma maior felicidade.

Algumas dessas características são mais óbvias: por exemplo, países com menos desemprego são mais felizes. Outras são um pouco contraintuitivas: renda, por exemplo, parece aumentar felicidade até certo ponto (na amostra, até uma renda líquida de US$ 25000).

Já outras me pareceram completamente contraintuitivas, e podem apresentar policy implications para discussões correntes no Brasil. Por exemplo, na amostra, uma maior proteção contra o desemprego está negativamente correlacionado com o nível de felicidade. Outra é que uma maior participação de idosos na força de trabalho está positivamente correlacionado com a felicidade. Aparentemente, pendurar as chuteiras e ficar em casa cochilando em frente da Sessão da Tarde não faz bem para a felicidade geral das nações da amostra.

Outro resultado é que o autor encontra relação positiva entre liberdade econômica e felicidade. O discurso que eu escuto por aí é que o homo brasilis iria se ressentir de uma maior liberdade econômica, que iria ficar desamparado e desalentado, mas isso não ocorre dentro da amostra analisada.

Por fim, e coerente com o trabalho de Robert Putnam, é que um alto grau de confiança em seus concidadãos aumenta o grau reportado de felicidade. Sobre Putnam, clique aqui.

Mais uma vez, acho que vale a penar ler o relato do DB aqui.


Escrito por Philipe às 12h34
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