Matizes Escondidos

05/01/2008

Reportagens de todo janeiro

Nesta época do ano, começam a pipocar na TV reportagens falando sobre a importância de se pesquisar preços de material escolar, da importância de se economizar cada centavo, etc.

Numa reportagem arquetípica, o repórter fala da diferença de preço de 50% em alguns itens. "Um apontador que sai em uma loja por 40 centavos, em outra chega a custar 60 centavos."

E falam da diferença no preço da borracha, da régua plástica, etc.

Ora, ora, ora. Acho que quem idealiza essas reportagens não tem filhos na escola ou já saiu dela há muito tempo.  Tudo bem que a diferença de preço, em porcentagem, chegue a 50, 60% em alguns itens. Mas são itens que são baratos, coisa de poucos reais. Os únicos itens da lista de material que, na minha opinião, merecem ser pesquisados em diversas lojas são cadernos (ou fichário) e papel A4, pois esses são mais caros. Para mim, não vale a pena gastar o tempo (nosso pouco tempo na Terra!!!) procurando pechinchas em grafite ou em papel crepon: no final da história, eles impactam bem pouco na hora comprar o material.

O que sabem aqueles que têm filhos (ou têm a curiosidade de acompanhar mamãe e papai às compras de material) é que o maior custo da lista são os benditos livros. De que adianta passar o dia rodando para economizar R$4,17 se cada livro de Matemática, Português ou (God forbid), História não sai por menos de R$50?

E aí você abre o livro de história e vê que está cheio de abobrinha. Daí a pouco o seu filho já está olhando com cara feia para você porque comprou um produto de uma multinacional que remete os lucros para o exterior... (foi assim comigo, sendo eu, claro, o filho, não o pai)...

A idéia desse post veio de um comentário da minha mãe.


Escrito por Philipe às 22h48
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04/01/2008

A razão do povo da medicina ser chato...

Artigo discute a importância do QI na determinação de estratos sociais,

O que eu achei mais legal foi o gráfico que relaciona a distribuição de QI entre diversas profissões:

O artigo pode ser encontrado aqui.

Via http://www.geekpress.com

Aliás, um site interessante sobre esse tipo de assunto é o www.halfsigma.com, mas, se você for minimamente politicamente correto, recomendo não entrar....

 


Escrito por Philipe às 21h53
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Dinheiro na mão é vendaval

O jornal Valor Econômico publicou matéria (leia aqui) falando do livrinho "Em Terra de Cego, Quem Tem um Olho é Rei: Usando Teoria Econômica para Explicar Ditados Populares", do qual eu tive a honra de participar.

Agradecimentos aos prof. Shikida e prof. Sachsida pela oportunidade e divulgação.

O livro pode ser baixado aqui.


Escrito por Philipe às 21h44
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01/01/2008

Latitude e Desenvolvimento Econômico

Existe na literatura sobre crescimento econômico uma discussão sobre a influência do clima de uma região em seu desenvolvimento (ver The Mistery of Economic Growth, de Elhanan Helpman, para uma síntese).

Uma dessas possíveis vias de influência se daria da seguinte forma (muito simplificadamente): em regiões de clima mais frio, culturas como o do trigo prosperam. Essas atividades se desenvolveriam em propriedades médias e pequenas, determinando uma distribuição de renda mais equitativa, com formação de uma vasta classe média. Tudo isso,  por sua vez daria origem a um arcabouço institucional que protegeria a propriedade privada, incentivaria a atividade produtiva, etc.

Já em regiões de clima quente, seriam culturas como a da cana-de-açúcar que prosperariam. Essas culturas são realizadas em propriedades grandes (plantation), geralmente com trabalho cativo, o que proporcionaria a formação de uma sociedade de (poucos) proprietários, (muitos) pobres e uma classe média reduzida. Uma sociedade assim, segue o argumento, dá origem a um arcabouço institucional que não estimula a produção, nem estende a todos os seus membros o direito de propriedade, etc.

Teríamos assim que, segundo esse raciocínio, a influência do clima no desenvolvimento econômico se daria da seguinte forma: o clima determina a estrutura produtiva básica de uma região, essa estrutura produtiva determinaria suas instituições, e essas instituições, de acordo com suas características, influenciariam o desenvolvimento econômico.

Se fizermos um gráfico relacionando latitude (ceteris paribus, quanto mais longe do Equador, maior é o frio) e IDH para os municípios brasileiros, temos o seguinte gráfico (lembrando sempre que correlação não significa necessariamente causalidade):

Eu já tinha comentado antes aqui sobre a correlação entre latitude e desigualdade de renda para os municípios brasileiros.

Deixo para o leitor imaginar os canais de influência entre latitude, instituições e desenvolvimento no caso do Brasil. Talvez eu faça algum comentário depois.

Como dito, a correlação entre latitude e desenvolvimento já foi bem discutida. Eu pensei, de curiosidade, então, fazer um gráfico relacionando altitude e IDH. Ceteris paribus, quanto mais alto um lugar, mais frio ele é. O gráfico resultante é o seguinte:

Nada de muito dramático. Mas pelo menos matei minha vontade. =)

Correções, comentários?


Escrito por Philipe às 20h33
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