Matizes Escondidos

22/12/2007

...

Artigo interessante sobre evolução humana na The Economist, aqui.

Human evolution has speeded up over the past 80,000 years. That raises awkward questions about the concept of “race”.

O artigo Natural History of Ashkenazi Intelligence, citado pela The Economist, pode ser baixado aqui. É uma leitura instigante e provocadora.


Escrito por Philipe às 16h20
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Para o Palotti

Se você sabe que um homem que vende uma câmera fotográfica (bem ruizinha) pela TV não comprou uma máquina para ele próprio, e, numa discussão sobre os supostos predicados do aparelho divulgados pelo vendedor, você traz essa fato à baila, tal atitude é válida para o debate, ou se constitui numa falácia ad hominem?


Escrito por Philipe às 16h15
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Re-post: O Natal do Prisioneiro

Uma das coisas mais chatas do final do ano novo é recomendar "feliz natal e próspero ano novo" para todo mundo. Acho que no fim ninguém gosta de ficar papagaiando essas coisas por aí. E é quase sempre da boca da fora. "Que bom! A moça da loja, que não me conhece, deseja, do fundo do coração, que eu tenha um feliz natal!" Ah, é, gosta de mim? Então faça meu natal e meu ano novo serem felizes! Sem contar o custo de ficar mandando scrap para todo mundo, respondendo email, e, o pior de tudo, os cartões de natal. Esses requerem que você saia de casa, compre um cartão, escreva uma mensagem, vá até o correio e mande esse pedaço de papel com filigranas.

Mas, no fim, todo mundo faz isso! Até eu (menos mandar cartão!). Por quê?

Uma possível discussão é esta, nos moldes de um dilema do prisioneiro. Aliás, se você não sabe o que é um dilema do prisioneiro, é importante aprender. Garanto que vai ser útil em diversas situações, não só acadêmicas. Em inglês, em http://en.wikipedia.org/wiki/Prisoner%27s_dillema. Em português, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro.

Vamos lá.

Você é uma pessoa igual às outras e todos têm 3 pontos de felicidade. Não gosta de cumprimentar as pessoas. Gasta tempo, dinheiro, paciência, hipocrisia, etc. Por isso, cumprimentar as pessoas consome 1 unidade da sua felicidade.

Por outro lado, se você não cumprimentar as pessoas, vai ser hostilizado, tachado de anti-social, insensível, isolado, economista e outras coisas ruins. E ninguém no nosso mundinho estilizado gosta de disso. Assim, ser hostilizado custa dois ponto de felicidade.

O que fazer? Supondo que todo mundo já tinha o hábito de cumprimentar quando você nasceu, você faz o seguinte cálculo: gostaria de não cumprimentar e nem ser cumprimentado (não perde tempo e não é tachado de anti-social), mas já que o costume já está lá, minimiza seu prejuízo cumprimentando (o que sacrifica um ponto de felicidade, em vez de dois). Todo mundo faz o mesmo cálculo e temos um equilíbrio onde todos cumprimentam, embora não gostem realmente de fazê-lo.

O melhor cenário é onde ninguém cumprimenta ninguém e todos ficam livres de fingir que gostam daquelas pessoas todas que cruzam seu caminhos entre os dias vinte e três de dezembro e primeiro de janeiro. Nessa hipótese, todo mundo ficam com seus três pontos de felicidade e o equilíbro é estável: ninguém vai ser doido de perder seu tempo cumprimentando as pessoas num costume que ninguém mais tem.

                                          O RESTO 

                            CUMPRIMENTA     NÃO CUMPRIMENTA
VOCÊ

CUMPRIMENTA               +2,+2             +2,+1  

NÃO CUMPRIMENTA        +1, +2             +3,+3 (felicidade total: 6)

Mas, como dito acima, o costume é não cumprimentar. E um indivíduo só não consegue mudar o mundo, pois é pequeno em relação à sociedade. Você está num equilíbrio caminho que os economistas chamam de subótimo, mas não pode mudá-lo, porque ele está enraizado nos costumes. É o que os acadêmicos chamam de dependência de trajetória. Mas isso já é economia política e vocês não querem escutar isso.

Ou querem?

Feliz natal! E um próspero ano novo! Mas esse é sincero! Se você lê meu blog, há uma grande chance de que eu realmente goste de você! =D

E viva o cumprimente sincero! Se eu lhe desejei feliz natal, é porque eu gosto de você de verdade.


Escrito por Philipe às 13h20
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20/12/2007

Mapa do IDH de Minas Gerais - 2000

Como outros (como o prof. Márcio Salvato) já notaram, podemos traçar uma linha diagonal que divide o estado de Minas Gerais em duas áreas, uma de maior desenvolvimento e outra de menor desenvolvimento.

Eu fiz o mapa abaixo usando o Atlas do IDH para demonstrar essa divisão. A cor laranja indica municípios com IDH de até 0,700 (incluso), e a cor verde representa municípios com IDH a partir de 0,701. Na área de menor desenvolvimento, os maiores IDHs municipais são os de Unaí (grande produtora de gêneros alimentícios) e de Montes Claros, cidade-pólo no setor de serviços.


Escrito por Philipe às 12h04
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19/12/2007

O Fardo do Homem Branco

Todo mundo está com milhões de livros para ler, mas, caso você aceite um conselho, minha dica é arrumar um tempinho para "The White Man's Burden", de William Easterly.

Assim como o seu famoso livro de estréia, "The Elusive Quest for Growth" ('porcamente' traduzido como "Espetáculo do Crescimento"), o tema do livro é o crescimento econômico (ou a falta dele).

Em the "White Man's Burden", o autor analisa as razões para a ajuda econômica para os países mais pobres ter falhado miseravelmente desde sua incepção, no pós-segunda guerra. Usando diversos estudos de caso, estudos econométricos, além de passeios interessantes na área da economia política, Easterly estuda as razões de a ajuda dos países ricos não ter surgido resultado, ou pior ainda, ter atrapalhado ainda mais as coisas para os países pobres.

Além de ser uma leitura relevante, é bem escrito e até divertido. E está baratinho na Livraria Cultura, aqui. Ok, está em inglês, mas, acredite, vale a pena.


Escrito por Philipe às 22h27
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E aqueles brinquedos chineses cheios de chumbo? =/

Como já discutido esta postagem antiga, um economista americano publicou trabalho em que afirma que a taxa de criminalidade violenta (em especial a de assassinatos) está fortemente associadada à quantidade de chumbo presente no ambiente.

De acordo com este número do informe Crime Times:

Long-term, worldwide trends in crime levels correlate powerfully and consistently with changes in environmental levels of lead, according to a new study by economist Rick Nevin. Lead is a potent neurotoxin that is already strongly linked to delinquent behavior.

Lead levels in different countries fluctuated over the past century as these countries increased or decreased their use of leaded gasoline and paints. Using a range of sources, Nevin tracked these changes over several decades in the U.S., Britain, Canada, France, Australia, Finland, Italy, West Germany, and New Zealand. 

Because different countries used and then phased out leadcontaining paint and gasoline at different times, blood lead levels in their populations also rose and fell at different points. Nevin compared these peaks and valleys to trends in crime rates and age-specific arrest rates in each country, predicting that children exposed to higher levels of lead during the crucial preschool developmental years would show higher rates of offending when they reached their late teens and early 20s (the peak years for criminal behavior).

Nevin’s data strongly supported this prediction. "It is stunning how strong the association is," he commented in the Washington Post. "Sixty-five to ninety percent or more of the substantial variation in violent crime in all these countries was explained by lead. In particular, murder rates were strongly associated with high rates of severe childhood lead poisoning.

The association between lead levels and crime held true decade after decade, despite important sociological and societal changes. Nevin notes, for example, that his data can explain why juvenile arrest rates in the U.S. skyrocketed in the 1960s (two decades after the dramatic increase in leaded gas usage after World War II), even though the percentage of children living in poverty dropped dramatically during this time. Decreases during the late 1970s and the1980s in the numbers of U.S. children with severe lead poisoning also correlated with dramatic drops in violent crimes during the late 1990s - defying sociologists’ almost universal predictions of increasing rates for that period - while countries that did not phase out leaded gas until later, such as Britain, had high crime rates in the 1990s.

Nevin says a competing theory by Steven Levitt, which suggests that rising rates of abortion caused crime rates to drop in the 1990s by reducing the number of unwanted children, cannot explain the rise in U.S. crime rates between 1973 and 1991. He also notes, "Britain legalized abortion before the USA, but violent crime rose in Britain and across Europe and Oceana in the 1990s despite rising incarceration rates, rising or unchanged police per capita, and declines in the age 15-19 share of the population."

O gráfico abaixo foi editado daqui:De http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/graphic/2007/07/08/GR2007070800371.html (adaptado)


Aliás, esse site, o www.crimetimes.org, é muito interessante. Ele faz comentários e revisões de literatura sobre a relação entre neurologia, cuidados parentais, nutrição, contaminação ambiental e conduta antissocial.

Rationale do site:

Most current efforts to fight crime focus on sociological approaches: counseling and rehabilitation for offenders, tougher laws intended to discourage criminal acts, and better parenting and better education to prevent at-risk children from becoming delinquents and criminals.

These well-intentioned approaches have one thing in common: they frequently fail. Why? Because they fail to acknowledge that many criminals suffer from brain malfunctions which prevent them from benefiting from sociological or psychological interventions. Research shows that chronic offenders exhibit brain dysfunction leading to extreme "dyslogic." Many exhibit a lack of insight and foresight, a lack of empathy for animals and people, a low anger threshold, poor abstract thinking and social skills, a lack of fear and remorse, impulsivity, and an inability to realize the consequences of their actions or to learn from experience.


Escrito por Philipe às 21h22
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17/12/2007

Pergunta idiota...

Da Revista do Globo de 16/12:


Escrito por Philipe às 15h20
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16/12/2007

Investimentos em Minas Gerais

Mais um grande investimento será realizado na região do Alto Paraopeba (e entorno), em Minas Gerais.

Além dos investimentos na expansão da usina da Gerdau Açominas (3,5 bilhões de reais), instalação da usina da Sumitomo/Vallourec (3 bilhões de reais), agora foi anunciado um investimento da CSN em Congonhas de, pasmem, 10 bilhões (!) de reais, na expansão da Mina de Casa Grande, na instalação de duas unidades de pelotização e de uma usina siderúrgica.

É interessante como as coisas funcionam na região. Primeiro, havia o minério. Então, na década de 1950 se abriram grandes minas para extrair o mineral. Por causa das minas, implantam-se estradas de ferro. Estando instaladas as estradas de ferro, instala-se uma grande planta siderúrgica (décadas de 1970 e 1980). Estando instalada a planta siderúrgica, as minas e as estradas de ferro, e com o elevado preço das commodities, a região torna-se atrativa para mais uma rodada de investimentos, agora em meados da década de 2000.

Acho que tal concentração se dá por causa de uma economia de aglomeração: a infra-estrutura foi aonde estavam as minas, a siderúrgica foi para onde havia minas e infra-estrutura. Estando instaladas a siderúrgica, a infra-estrutura e as minas, a região se torna mais atrativa para ainda mais outros investimentos na área.

Tomando um passo mais temerário, seria interessante dizer que o investimento, em teoria, deveria ir para regiões pobres em capital, onde sua produtividade marginal seria maior. Entretanto, o que observamos é que o investimento, muitas vezes, vai para regiões já relativamente ricas em capital, o que configuraria ou retornos marginais crescentes, ou pelos estáveis. Temos, por exemplo, que a maior parte do investimento estrangeiro direto (FDI), é feito entre países ricos, e não por países ricos em países pobres.

Essa região de Minas tem cerca de 200 mil habitantes, o que, levando em consideração o valor dos investimentos previstos somados, dá mais de 80 mil reais por habitante. Será interessante ver como as coisas irão se desenvolver.


Escrito por Philipe às 18h47
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