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| 01/12/2007 |
Conhecimento é... comer?
Conhecimento é comer... Digo, poder! =)

Chinglish comanda!
Confira a história completa aqui.
Escrito por Philipe às 21h21
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| 30/11/2007 |
Lá como cá
Li esses dias um excelente paper sobre história da América Latina, Always Protectionist ? Latin American Tariffs from Independence to Great Depression, de John H. Coatsworth e Jeffrey G. Williamson.
Os autores argumentam, que, ao contrário do que diz a sabedoria convencional, e do que defende o muito comentado livro Kicking Away the Ladder, de Ha-Joon Chang, a América Latina foi, sim, muito protecionista durante o século XIX e primeira metade do século XX, não só após a Segunda Guerra Mundial, sob a influência das teses cepalinas de substituição de importações, deterioração dos termos de troca e etc. Os autores expõem de maneira muito convicente que o elevado protecionismo da América Latina buscava arrecadar fundos para custear, principalmente, investimentos em defesa, em um momento em que os Estados nacionais estão se formando e reconfigurando o espaço geopolítico, geralmente através de guerras. 
Interessante notar, por exemplo, também, as tentativas iniciais de estabelecer uma defesa à indústria nascente. Legais as questões de economia política, por exemplo, quando agentes pleitavam proteção em relação ao produto estrangeiro, nem sempre o desejo era o de enriquecer o país, e sim a si mesmo: The first known case of governmental support for infant industry occurred in Mexico in 1825 when the new congress passed a bill to encourage the development of a modern paper manufacturing industry.The bill granted a seven-year exemption from internal excise taxes (alcabalas) and a permanent exemption of import duties on rags to any enterprise that would begin producing paper within the next two years. The bill was passed in response to a request from Manuel Zozaya, who had returned home from his duties as Mexico’s ambassador to the United States with machinery to set up the country’s first paper mill in the Mexico City suburb of San Angel. By the time the bill passed congress, President Guadalupe Victoria had already ordered that all Mexican government documents be printed on paper produced at the San Angel plant. Relevante a discussão também sobre se os produtos importados realmente ofereciam concorrência (risco?) às indútrias locais. Em diversos lugares da América Latina, o transporte continente adentro era mais caro do que trazer o produto da Europa à América. Assim, os produtos locais dispunham de bastante "proteção", independentemente de taxas de importação: (...)Transport costs into the Latin American interior were much more important protective barriers for local manufacturers than overseas transport costs. Belford Hinton Wilson, a close observer of early-mid 19th century Latin America, reported in 1842 the costs of moving a ton of goods from England to the following capital cities (in pounds sterling) : Buenos Aires and Montevideo 2; Lima 5.12 ; Santiago 6.58 ; Caracas 7.76 ; Mexico City 17.9 ; Quito 21.3 ; Sucre or Chuquisaca 25.56; and Bogota, 52.9. The variance ishuge, with the costs to interior capital cities nine to twenty-seven times that of seaports. Thus, transport revolutions along the sea lanes connecting Latin America to Europe had far less to do with tariff rates than did investment in railroads at home. Que pena que o arquivo não se encontra mais disponível online para baixar gratuitamente. Ops, eu disse que não? Você pode baixar uma cópia do meu blog, aqui. =) Eu acho que não tem em outro lugar na net.
Escrito por Philipe às 18h54
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| 27/11/2007 |
PIB 2
Como vocês já sabem, o IBGE liberou o valor do PIB dos estados para o ano de 2005. Daí eu queria comparar o valor dos PIBs per capita dos estados com o PIB per capita de outros países. Como as comparações internacionais são feitas em dólar PPP, e não em dólares da taxa de câmbio oficial, eu fiz uma pequena gambiarra para converter os PIBs per capita estaduais, que são denominados em real. Eu tinha o valor do PIB per capita (em dólar) do Brasil, que segundo o World Factbook é de US$ 8800, e o valor per capita do PIB nacional em reais, que é de R$ 11658. O que eu fiz vou ver que a proporção entre o valor do PIB per capita em real em relação ao valor do PIB per capita em dólar PPP era de 0,755. Daí eu multipliquei esse valor pelo PIB per capita estadual. Crianças, esse é um passo temerário, não façam isso em casa.
Para dar uma dimensão relativa do valor do PIB per capita estadual, eu fiz um gráfico em que comparo os valores dos estados em relação à renda de outros países. Os valores aproximados da escala são os seguintes (tudo em dólar PPP):
Guatemala: US$ 5000 Mundo: US$ 10000 Argentina: US$ 15000 Portugal: US$ 20000 Coréia do Sul: US$ 25000 Itália: US$ 30000


Escrito por Philipe às 19h43
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| 26/11/2007 |
Convergence, small time?
O IBGE disponibilizou em sua página os novos dados sobre os PIB estaduais de 2005, já com a nova metodologia recentemente adotada.
Eu peguei os dados de crescimento do PIB estadual e coloquei num gráfico de dispersão juntamente com a renda per capita, para ver se conseguia identificar algum movimento de convergência. Isto é, se os estados mais pobres estavam crescendo mais rápido que os ricos.
Quando eu fiz para todos os estados e o Distrito Federal, o resultado foi o seguinte:

A associação entre crescimento e renda é negativa, mas o valor de R^2 é baixo.
Excluindo o Distrito Federal (o outlier de renda mais elevada), temos:

Se excluirmos também o Amazonas (outlier de crescimento mais elevado), temos:

Excluindo o Amazonas e o Distrito Federal, o R^2 sobe mais um pouco.
Para o país como um todo, a nova série do IBGE aponta crescimento de 3,7% do PIB.
Escrito por Philipe às 16h41
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| 25/11/2007 |
Feliz hanukkah!
Se não me engano, o lema do Google é: não seja mau. Ora, se todos seguissem essa recomendação, o mundo seria um lugar bem melhor. Minha cota de não ser malvado hoje foi assim: Sempre que eu vejo um pretenso erro de português, eu busco achar que a pessoa, em vez de cometer um deslize está, na verdade, sendo criativo ou criando um neologismo. Assim, eu procuro interpretar o que foi escrito da forma mais 'elástica possível'. Assim, em vez de considerar alguém burro, eu procuro considerá-lo criativo! Claramente, é um ganho na cota de bondade do mundo, além de aumentar o léxico português. Hoje eu vi um cartaz que pedia para se ter cuidado na portaria do prédio, pois a mesma estava sendo "invernizada". Uma mente apressada seria célere em acusar o responsável pelo cartaz de maltratar a língua-mãe. Ora, sejamos razoáveis. Vamos lá: - A portaria é a recepção do prédio, que muitas vezes costuma ser enfeitada. - Estamos em clima de natal. - Geralmente os prédios se enfeitam para o natal. - As decorações de natal entram no clima do Christmas dos EUA, com muita neve, roupaspesadas, comidas pesadas (como nozes), etc. Afinal, é inverno no hemisfério norte. Assim, decorar para o natal significa entrar no clima de inverno. Ou seja, INVERNIZAR. Se a portaria do prédio estava sendo "invernizada", é porque estavam colocando decoração de natal. Eu não entrei no prédio, mas, se entrasse, aposto que teria um baita papai noel com muita neve de algodão na portaria. Além disso, hoje é dia 25, ou seja, um mês para o natal! Eu sei que vocês estão achando isso tudo ridículo, condenando o pobre moço que escreveu o cartaz como um pobre diabo desprovido de instrução. É por isso que eu, ao contrário de você, dei mais um passo em direção ao céu hoje. Shalom!
Escrito por Philipe às 20h34
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