Matizes Escondidos

27/10/2007

(011) 1406

Anúncios direcionados podem ser engraçados. O software lê o conteúdo do site e, baseado em palavras chave, direciona os anúncios. Só que nem sempre as coisas são perfeitas. Metal, por exemplo, também é um estilo musical...


Escrito por Philipe às 19h18
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26/10/2007

Você acredita em tudo que vê?

No UOL, aqui, eu vi a foto do dono da GOL agredindo um fotógrafo da Folha. O problema é que os envolvidos na contenda não pareciam estar com cara de quem está envolvido numa briga. Olhe só, parece que o empresário está cumprimentando o fotógrafo!

Daí eu mudei a legenda e coloquei um diálogo para ficar mais de acordo com a foto. ^^


Escrito por Philipe às 21h49
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Uni-vos e talz... II

Hoje eu estava mexendo em umas coisas antigas (2001, 2002), de quando eu tinha 15-17 anos. Numa dessas, eu topei com um rabisco meu, junto de uma foice e martelo. Pois é, eu já achei que essas coisas tinham boas respostas aos problemas bem reais que diferentes sociedades enfrentam. Hoje eu já acho que os socialismos criam mais problemas do que consertam (e isso considerando que eles consertam alguma coisa, o que, sinceramente, é uma proposição forte).

Dadas o péssimo currículo dos diversos socialismos, eu me pergunto porque tais idéias são tão populares, em especial com os mais jovens.

Algumas discussões:

1. Os humanos evoluíram num contexto em que a riqueza, em sua maioria, era achada e redistribuída, e não criada, como é hoje nas sociedades modernas. Assim, nossa mente primitiva pode ter um certo viés redistributivo e que busca punir aqueles que acumulam demais. Se a riqueza é constante, o seu ganho é a minha perda (jogo de soma zero). Se você tem demais, alguém ficou sem.

Além disso, os humanos se organizam em estruturas segmentadas por status. Essa orientação é muito forte em sociedades em que todos se conhecem (o ambiente em que nossas mentes evoluíram). Ora, organização por status é um jogo de soma zero por definição. Você não é bom ou ruim: você é pior ou melhor que alguém. Assim, alguém com muitos recursos está fadado a atrair tanto a admiração (efeito Caras) quanto o ódio de seus semelhantes (efeito tax-the-rich).

Num contexto assim, é natural que se encare alguém mais rico que você como inimigo, pois, no ambiente evolucionário, ele provavelmente seria mesmo o seu rival. A questão hoje é que a riqueza não é mais distribuída, ela é criada. Você pode até odiar o Antônio Ermírio de Morais, mas é difícil defender que os pobres brasileiros hoje estariam melhor caso não existisse o grupo Votorantim.

Expandindo o ponto, via Mahalanobis: By far the longest period of our existence as humans was the period spent as mobile hunter –gatherers, with small human groups, little social structure, little food storage and because of the small size of markets little division of labor or specialisation. Gains from trade were small, and a common and important form of exchange important for survival would have been intertemporal exchange of the same good, a form of reciprocal altruism that is unrelated to specialisation.

Shirking could have been in the form of refusal to provide one’s share or not spending sufficient effort on food providing. If someone had substantially more than others, it may have been the result of unwillingness to share or reciprocate for past benefits received. Wealth inequalities were probably due to shirking by refusing to share. Our ancestors payed careful attention to this behavior and punished those who are perceived as not sharing sufficiently. To avoid being victimized or cheated it would have been important for individuals to monitor the terms of exchange. This is a world of world of strong reciprocity and a form of exchange that anthropologists call equality matching, the core of intuitive (folk) economics. This avoidance of shirking and the moralistic aggression associated with cheating would have limited the possibility of negative-sum interactions, such as theft. If our minds evolved in this situation, then current innate economic modules should be adapted to this setting.

The implication of this is that for many economic problems folk economics will get the wrong answer.

2. Quem estuda história e, por isso, escreve os manuais de história, geralmente é o pessal disquerda. Assim, a narrativa-padrão de folk marxism prospera. O mesmo para o pessoal das artes. É muito mais lírico falar que o João de Santo Cristo foi pra Brasília por causa das zelite e "da alta burguesia da cidade que não acreditou na história que eles viram na TV" do que falar que o Santo Cristão não tinha emprego por causa da falta de indepedência do Banco Central, má gestão macroeconômica, etc.


Tem sempre um manezinho com uma camisa vermelha cara de grife famosa escrito CCCP, que é SSSR em alfabeto cirílico. Em português, URSS. Ah, tá. Se tivesse uma suástica, todo mundo iria vaiar (ainda bem). Por que será que o mesmo professor que fala indignado sobre Sobibor e Auschwitz não fala sobre os gulags e as fomes fabricadas, que mataram muito mais gente?

Ok, vá lá ser disquerda hardcore. Mas seja coerente. Não vá comprar uma camisa escrito CCCP que custa mais que uma cesta básica, ok?  

O autor deste blog não vem de classes favorecidas. Ele acha que bla-bla-bla não enche barriga.


Escrito por Philipe às 19h45
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Uni-vos e talz...

Do De Gustibus, uma proposição, aqui:

As regras do meme são:

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.”

Ok, lá vou eu. Meu livro (estava logo atrás da mesa do computador) é o A Queda do Império Soviético, de Michael Dobbs.

Página 161, quinta frase: "Em outubro de 1981, o Kremlin finalmente decidiu cortar os suprimentos de petróleo para a Europa oriental em 10%, provocando protestos de seus clientes".

O livro é muito, muito bom. Se John Reed tem o seu "Os Dez Dias que Abalaram o Mundo", Dobbs tem o seu "A Queda do Império Soviético". O livro retrata o cotidiano da cúpula do poder dos governos comunistas da Europa, em especial o da União Soviética, do fim de 1979 (invasão do Afeganistão) até o fim de 1991 (dissolução da URSS. O resultado é um livro que consegue contar a história sem cair em denuncismo ou em simplificações, e construído de tal forma que você se sente nas mesmas salas onde uma boa parte da história do final do século XX foram decididas. O final da história é tanto um misto de alegria pelo fim de um governo tirânico, temperada pela melancolia do sonho que revela distópico. Como disse Pasternak "This kind of thing has happened several times in the course of history. A thing that is born from a great love or from great ideas becomes rough and common. Rome came out of Greece and the Russian Revolution came out of the Russian enlightenment."


O fato d'eu ter comprado o livro por (se me lembro bem) por nove reais, enquanto o preço de tabela é de setenta, também ajuda. Saldão de livros, o seu melhor amigo. =)


Escrito por Philipe às 18h59
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24/10/2007

Sua escola tem projeto político-pedagógico?

Tenho medo de alguns neologismos. Tirando áreas como comunicações e computação, acho que boa parte dos termos úteis já estavam em circulação na década de 50 ou 60.

Digo isso porque outro dia eu li um texto que tratava do "bem estar biopsicosocial" das pessoas. Meu estômago quase embrulhou. Tenho medo desses neologismos. Boa parte dos neologismos "embrulha estômago" incluem psico-, social e sustentável. Ora, são partículas e palavras úteis, mas que, com o uso indiscriminado, tendem a perder o sentido.

Biopsicologia social sustentável, já pensou? Só de colocar um título desses num curso ou palestra, lhe garanto que apareceriam alguns incautos...


Escrito por Philipe às 22h00
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Burogo

Via De gustibus: Macacos e crianças apresentam dissonância cognitiva, aqui.

Por que eu mantenho um blog? Humm... É porque... eu gosto! É isso! Eu adoooro isso!


Escrito por Philipe às 21h44
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Repostagem - Vodca Caseira Contaminada

Um relato interessante de como muitos russos estão ficando doentes por beberem vodca caseira contaminada está disponível em http://news.bbc.co.uk/2/hi/programmes/from_our_own_correspondent/6434789.stm.

O consumo de bebidas caseiras cresce, como prevê a lógica econômica, quando o preço da bebida industrializada (que é um bem substituto) sobe. Foi assim durante o período da prohibition americana, durante a campanha contra a vodca de Gorbachev e agora com a campanha de Putin.

Podemos encarar a bebida como uma "mal" por diferentes ângulos. Por exemplo, se tomamos os agente como racionais, o consumidor de bebida não irá levar em conta os efeitos nocivos da bebida sobre os seus semelhantes - externalidades negativas. Por exemplo, ele não levará em conta o quanto ficará chato para os outros, nem o risco mais elevado de acidentes que pode causar a outrem (ele, entretanto, levará em conta o risco de acidentes que pode causar a ele mesmo, e leva isso em conta na hora de decidir quanto beber). Daí caberia cobrar um imposto – chamado imposto de Pigou – que altere o preço do produto para que a quantidade consumida seja aquela correspondente à quantidade ótima do ponto de vista social. Visa proteger os outros que estão por perto, não o consumidor de bebida em si.

Se tomamos os indivíduos como tendo uma racionalidade limitada, se eles podem não tomar atitudes que estejam em seu próprio interesse, podemos estruturar um esquema de preços que desestimule o consumo de certas mercadorias consideradas maléficas. É o caso, por exemplo, das chamada sin taxes, que são taxas sobre produtos como bebidas, cigarros e comidas gordurosas, que, ao aumentarem o preço do produto, procuram proteger o consumidor de si mesmo através da redução da quantidade consumida.

No caso em questão, ao aumentar o preço da vodca oficial, os russos passaram a comprar vodca pirata, que muitas vezes contém impurezas que prejudicam a saúde.

Caberia perguntar, então: o uso de mecanismos de aumento de preço da vodca oficial reduziram o consumo de álcool? Caso sim, a diminuição compensa o problema trazido pelo aumento de consumo de vodca pirata? É preciso ponderar esses dois efeitos, de caráter contrário, e obter o resultado “líquido”, o que é muito difícil de se fazer.

Como a notícia mostra, o mundo é complexo, e políticas públicas podem ter efeitos não previstos e maléficos.


Escrito por Philipe às 21h41
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21/10/2007

Taxonomia

Gente, imagino se fosse no Brasil, qual seria a manchete do tablóide Super Notícias

India official dies after monkey attack

NEW DELHI - Wild monkeys attacked a senior government official who then fell from a balcony at his home and died Sunday, media reported.

(...)

Many government buildings, temples and residential neighborhoods in New Delhi are overrun by Rhesus macaques, which scare passers-by and occasionally bite or snatch food from unsuspecting visitors.


Isso me lembrou uma postagem mais antiga, essa sim REALMENTE bizarra! Aqui.

In addition to stealing their crops, the monkeys also make sexually explicit gestures at the women, they claim.


Escrito por Philipe às 16h29
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Para quem acha que tudo só piora II

Internet, circa 1998

Internet, circa 2007

Além disso, o Zipmail enchia (ainda enche) de spam. Mas, verdade, seja dita, eles oferecem na verdade 2 MB de email, o que é 100% mais do que o anunciado. O Zipmail ainda existe... Dependência de trajetória? Sistema legado?


Escrito por Philipe às 16h18
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Energo

A economia soviética se prezava por um uso intensivo e mal planejado da energia, abundante em seu território. A estatística acima ilustra esse fato. Em 1973, a economia soviética era a que mais gastava energia por uma dada quantidade de produto interno bruto, juntamente com a economia chinese (também de planejamento central).

Em 1998, enquanto a economia chinesa diminui sua intensidade energética por unidade do PIB, a russa (herdeira da URSS) a aumenta ainda mais. Talvez esse fato seja explicado pelo predomínio da atividade petrolífera e de gás, notória emissora de CO2, no PIB russo pós-soviético.

Enquanto isso, a economia japonesa se caracteriza pela parcimônia na emissão de CO2 por unidade do PIB.

Fonte: Angus Maddison, aqui, Evidence submitted to the Select Committee on Economic Affairs, House of
Lords, London, for the inquiry into “Aspects of the Economics of Climate
Change


Escrito por Philipe às 16h07
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