Matizes Escondidos

20/10/2007

Zelite II

Do Cafe Hayek:

The Causes of Poverty?

Don Boudreaux

1776 saw the publication of Adam Smith’s great book An Inquiry Into the Nature and Causes of the Wealth of Nations.

Note carefully the full title (as opposed to the more frequently used abbreviation The Wealth of Nations). Written just as the booster rockets for humanity’s great wealth explosion were being ignited, Smith inquired into the nature and the causes of wealth. Smith understood that the phenomenon to be explained is wealth. Wealth doesn't just happen; it is not humanity’s default mode. Wealth must be created; therefore, wealth has causes.

Writing a mere 114 years later, another illustrious economist, Alfred Marshall, wrote on page two of his justly celebrated Principles of Economics of “the causes of poverty.” Marshall wrote these words as part of his explanation of why the study of economics is useful. But writing after the fruits of the wealth explosion began raining down widely, even as astute a mind as Marshall missed the fact that poverty has no causes. Poverty is humankind’s default mode. It’s what exists if we do nothing. “Creating” poverty -- causing poverty -- is no challenge whatsoever.

Escaping poverty has causes – that is, wealth has causes.

This point bears repeating. Poverty has no causes. Wealth has causes.

But capitalism has been so enormously successful at producing widespread material abundance that we today -- like Alfred Marshall in 1890 -- regard wealth as innate to our existence, as our default mode. It is not. The set of institutions that will promote the creation of widespread prosperity is minuscule in number compared to those that prevent people from creating material prosperity.


Escrito por Philipe às 10h45
[] [envie esta mensagem] []



Zelite

Outro pet peeve meu:

Não tolero gente riquinha disquerda que vive metendo pau na zelite (da qual elas fazem parte) por causa de sua omissão histórica no combate à pobreza, que os ricos são responsáveis pela existência dos pobres, que o consumo é uma mácula, etc. 

Tenho (ou tive) uma professora, em certa parte da vida, que adorava meter o pau nas empresas, nos empresários e nas classes favorecidas (da qual ela fazia parte) pela sua falta de sensibilidade com os pobres, e com a preguiça das classes média e baixa em pegar nas armas para fazer a revolução (juro). Ah, sei. Quando da revolução, certamente as botas caras dela e seu apartamento numa zona nobre da cidade seriam confiscados e repassados à elite revolucionária (afinal, mesmo se todos são iguais, alguns são mais iguais do que os outros).

Enquanto isso, ela continua sua pregação de desprezo e desdém por aí. Aliás, ela é tão fresca, cheia de não-me-toques e com todo ar de madame. Não sei se ela toleraria o contato direto com a pobreza e com os pobres por mais do que alguns minutos. Certamente ela já viu pobres, sim, umas duas vezes, em algum documentário na sua TV por satélite (privilégio das zelite, hein?!).


Lembro-me agora de um artigo legal do Thomas Sowell. Vou colocá-lo aqui, pois o acho instrutivo (e provocativo). Tirei daqui.

Curing Poverty or Using Poverty
by Thomas Sowell  (January 9, 2006)

"China is lifting a million people a month out of poverty."

It is just one statement in an interesting new book titled "The Undercover Economist" by Tim Harford. But it has huge implications.

I haven't checked out the statistics but they sound reasonable.

If so, this is something worth everyone's attention.

People on the political left make a lot of noise about poverty and advocate all sorts of programs and policies to reduce it but they show incredibly little interest in how poverty has actually been reduced, whether in China or anywhere else.

You can bet the rent money that the left will show little or no interest in how Chinese by the millions are rising out of poverty every year. The left showed far more interest in China back when it was run by Mao in far left fashion -- and when millions of Chinese were starving.

Those of us who are not on the left ought to take a closer look at today's Chinese rising out of poverty.

First of all, what does it even mean to say that "China is lifting a million people a month out of poverty"? Where would the Chinese government get the money to do that?

The only people the Chinese government can tax are mainly the people in China. A country can't lift itself up by its own bootstraps that way. Nor has there ever been enough foreign aid to lift a million people a month out of poverty.

If the Chinese government hasn't done it, then who has? The Chinese people. They did not rise out of poverty by receiving largess from anybody.

The only thing that can cure poverty is wealth. The Chinese acquired wealth the old-fashioned way: They created it.

After the death of Mao, government controls over the market began to be relaxed -- first tentatively, in selected places and for selected industries. Then, as those places and those industries began to prosper dramatically, similar relaxations of government control took place elsewhere, with similar results.

Even foreigners were allowed to come in and invest in China and sell their goods in China. But this was not just a transfer of wealth.

Foreigners did not come in to help the Chinese but to help themselves. The only way they could benefit, and the Chinese benefit at the same time, was if more total wealth was created. That is what happened but the political left has virtually no interest in the creation of wealth, in China or anywhere else, despite all of their proclaimed concern for "the poor."

Since wealth is the only thing that can cure poverty, you might think that the left would be as obsessed with the creation of wealth as they are with the redistribution of wealth. But you would be wrong.

When it comes to lifting people out of poverty, redistribution of income and wealth has a much poorer and more spotty track record than the creation of wealth. In some places, such as Zimbabwe today, attempts at a redistribution of wealth have turned out to be a redistribution of poverty.

While the creation of wealth may be more effective for enabling millions of people to rise out of poverty, it provides no special role for the political left, no puffed up importance, no moral superiority, no power for them to wield over others. Redistribution is clearly better for the left.

Leftist emphasis on "the poor" proceeds as if the poor were some separate group. But, in most Western countries, at least, millions of people who are "poor" at one period of their lives are "rich" at another period of their lives -- as these terms are conventionally defined.

How can that be? People tend to become more productive -- create more wealth -- over time, with more experience and an accumulation of skills and training.

That is reflected in incomes that are two or three times higher in later years than at the beginning of a career. But that too is of little or no interest to the political left.

Things that work for millions of people offer little to the left, and ultimately the left is about the left, not about the people they claim to want to lift out of poverty.

O autor deste blog não vem de classes favorecidas. Ele acha que bla-bla-bla não enche barriga.


Escrito por Philipe às 10h32
[] [envie esta mensagem] []


19/10/2007

Scrooge McDuck

De http://www.flickr.com/photos/sander_de_jong/695719623/

Da Folha Online, aqui

PF prende quadrilha por tentar golpe de R$ 1 bi contra BB

A Polícia Federal desencadeou nesta sexta-feira, em quatro Estados, a Operação Alquimista, com o objetivo de desarticular uma quadrilha que tentava realizar golpes milionários contra o Banco do Brasil, com a participação de funcionários da instituição. Eles foram presos ao tentar sacar R$ 1 bi.

Foram expedidos 24 mandados de prisões temporárias e 26 ordens de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Distrito Federal e mobilização de mais de 150 policiais federais. Até o momento, 22 pessoas foram presas.

De acordo com as investigações, a organização, que agia há pelo menos dois anos, tentou efetuar o saque de aproximadamente R$ 1 bilhão junto ao Banco do Brasil (...).

(...)

O Banco do Brasil informou que não teve qualquer prejuízo e a tentativa de golpe foi identificada pelo próprio banco e notificada à Policia Federal.

Não consigo deixar de imaginar a cena. O camarada chega e fala para a caixa:

- Olá, eu quero sacar mais que o limite do caixa.

- Tudo bem. Qual o valor?

- Um bilhão de reais.

- Se o valor for acima de x reais, você precisa avisar com dois dias de antec... O quê, um BILHÃO?

- É.

- Nesse caso, acho melhor chamar a gerente. E a políci... Digo, aguarde um momento.

***

Claro que não foi só uma pessoa para sacar a dinheirama toda. Imaginemos que fossem 24 (o número de mandados de prisão. Ainda assim, seriam mais de 41 milhões de reais para cada um. Gente, gente. A rua cheia de pivete, é perigoso andar com mais de dez milhões por aí!

Mesmo que o banco fosse ultratapado, acho que eles acabariam percebendo uma movimentação desse vulto. A não ser, claro, que eles comprassem meio banco, o que, infelizmente, não acho que seja impossível.


Escrito por Philipe às 20h21
[] [envie esta mensagem] []


18/10/2007

Quantificando o senso comum

O formato da distribuição é semelhante, mas os homens estão deslocados para a direita no gráfico, ou seja, são mais 'autistas' que as mulheres, na média.

Antigamente, o diagnóstico do autismo era dado de maneira binária: ou você era autista, ou não. Uma classificação mais moderna (e de uso corrente) tem a característica de reconhecer que a desordem se apresenta em diversos níveis, e de maneiras diferentes em pessoas diversas. Assim, temos desde uma condição como a Síndrome de Asperger, na qual a pessoa, embora pareça um pouco avoada e com interesses peculiares, geralmente é altamente funcional, até o autismo mais clássico, muitas vezes desabilitante. O problema é quantificar tal escala.

Via wikipedia, eu cheguei até um trabalho interessante (aqui) de uma tentativa de se quantificar o quão autista seria uma pessoa. O trabalho em si é um primor da aplicação de método de pesquisa rigoroso, e mereceria ser lido só por causa disso.

O legal do trabalho é que ele desenvolve um teste para avaliação de autismo, defende sua validade e o aplica em diversos públicos. Os resultados estão de acordo com o que seria esperado, mas é interessante quantificar o senso comum. Entre eles, temos: homem estão, geralmente, num patamar mais elevado de autismo; diferentes áreas do conhecimento atraem pessoas com níveis de autismo diferentes; quanto mais abstrata a área do conhecimento, maior a classificação de seus praticantes na escala de autismo.

Recomendado.


Escrito por Philipe às 19h47
[] [envie esta mensagem] []



Aleatórios

1. Eu vejo muitas meninas por aí, entre 14 e 16 anos, que usam sombra nos olhos para ir à escola. Na minha época (6-8 anos atrás), nenhuma menina ia de sombra para a aula. Além disso, só meninas nessa faixa etária usam sombra. As um pouco mais velhas nunca usam.

2. Causa-me estranhamento o fato da maioria das legendas para filme disponíveis na Internet para a língua portuguesa estar em português de Portugal. Ora, a população de Portugal é de 10 milhões, enquando a brasileira é de 180 milhões. Quanto a usuários de Internet, a o Brasil soma 42 milhões, enquanto Portugal soma 3 milhões. Seria de se esperar que a maioria estivesse em português brasileiro, não?


Escrito por Philipe às 12h50
[] [envie esta mensagem] []


16/10/2007

Enquanto isso, na Índia...

Trabalho doméstico extenuante

No International Herald Tribune, aqui, um relato de como um empresário indiano criou uma rede de relacionamentos para aproximar patrões e empregados, de forma a melhorar a comunicação entre quem procura emprego e quem procura um empregado.

A matéria em si é interessante, mas algo além disso me chamou a atenção. Quando eu fui olhar o tal site (eu já olhei sites de casamentos indiano também, o que é engraçado, parece destino, o que me faz lembrar disto), reparei o quanto as horas de trabalho lá são longas. Muitos dos empregos oferecidos são para doze horas por dia. Deve ser complicado ser um motorista ou empregado doméstico na Índia!

Uma outra coisa que eu notei é o requisito de falar este ou aquele idioma. Para um leitor brasileiro (o segundo maior país monolinguístico do mundo em população, atrás dos EUA), é bem diferente.

Trabalho doméstico extenuante

Cuidar, por doze horas diárias, de filhos alheios? No way!


Escrito por Philipe às 20h37
[] [envie esta mensagem] []



Welfare Stare

Relato triste no International Herald Tribune, aqui:

KITAKYUSHU, Japan: In a thin notebook, discovered along with a man's partially mummified corpse this summer, was a detailed account of the diarist's last days, recording his hunger pangs, his drop in weight and, above all, his dream of eating a rice ball, a snack sold for about $1 in convenience stores across this country.

"3 a.m. This human being hasn't eaten in 10 days but is still alive," he wrote. "I want to eat rice. I want to eat a rice ball."

These were not the last words of a hiker lost in the wilderness, but those of a 52-year-old urban-dwelling welfare recipient whose benefits had been cut off. And his case was not the first here.

(...)

Japan has traditionally been hard on welfare recipients, and experts say this city's practices are common to many other local governments. Applicants are expected to turn to their relatives or use up their savings before qualifying for benefits. Welfare is considered less an entitlement than a shameful handout, an attitude that seems to have contributed to the three deaths here.

(...)

A friend found the dead man's corpse on July 10, long after his last diary entry on June 5. In his diary, the man dreamed of rice balls to the end. Though rice balls are now sold in convenience stores, to most Japanese they were traditionally a snack that their mothers usually made by hand: a ball of rice, wrapped in seaweed, with perhaps a single red plum buried inside.

"My belly's empty," read the diary's last entry. "I want to eat a rice ball. I haven't eaten rice in 25 days."

=(

Lembro do brasileiro Quarto de Despejo (ainda por ler).

Post relacionado, aqui.


Escrito por Philipe às 20h24
[] [envie esta mensagem] []


15/10/2007

Método Atlas

Isso é uma toalha, não uma fronha.

Pet peeve é uma expressão em inglês que serve para designar algo que lhe incomoda ou dá raiva, mas que não necessariamente vai incomodar outra pessoa.

Eu, por exemplo, tenho pavor de colocar fronha em travesseiro. Nossa, quando a fronha começa a agarrar é simplesmente tenebroso. E, depois de colocada a fronha, resta ainda a tarefa de esmurrar o travesseiro até que ele chegue ao formato desejado. Você, provavelmente, não tem os mesmos problemas com fronhas.

Outra coisa que me deixa ¨%&%&%¨&*(& de raiva: quando repórteres de economia não sabem muito bem o que os indicadores básicos da área querem dizer, ou como usá-los.

Estou com um exemplar de um grande jornal de circulação nacional nas mãos. Em uma página, ele tarat da Revolução Laranja (da Ucrânia), e qual o panorama político atual. Na outra, fala sobre a constituinte equatoriana.

Para ajudar (?) o leitor, as matérias trazem um quadro explicativo com estatísticas do dois países.

Está, no campo PIB per capita, da Ucrânia: US$ 7.800. Já no campo equivalente do Equador, temos o valor de US$ 2.630.

Opa, opa, opa. Você sabe que o Equador, por causa de diversas razões, não é nenhuma grande potência econômica. Agora, daí apresentar um PIB per capita que é um terço do ucraniano, sendo a Ucrânia uma ex-república da URSS com uma transição supercomplicada, é um demais.

Onde está a chave do problema?

Existem duas metodologias básicas para converter PIB per capita de diversas moedas para uma unidade comparável (geralmente o dólar americano): a conversão através da taxa de câmbio e através da análise da paridade de poder de compra (PPP).

Há diferenças significativas entre as duas metolodogias, e, embora eu não saiba muito de economia, a PPP me parece ser a unidade mais  próxima do valor correto do PIB per capita. Ok, há razões para usar a outra também, e essa é uma discussão complicada.

O fato é que, para países pobres, geralmente a conversão por taxa de câmbio dá uma valor muito baixo para a renda per capita, um valor baixo a ponto de não ser crível. Assim, está resolvido o mistério: os jornalistas do jornal, em vez de medirem a renda per capita usando todos o mesmo indicador, usam cada um o indicador que lhe parecer melhor. O problema é que o colega da página ao lado coloca a mesma grandeza, só que medida de forma completamente diferente.

Daí resulta a grande diferença observada entre o PIB per capita ucraniano e o equatoriano. Ao medirmos em PPP, a renda per capita (World Factbook) da Ucrânia é de USS$7600, e a do Equador, US$4500. Ok, a diferença ainda é grande, mas estreita-se.

O importante é que, depois de escolhido um indicador dentro de uma publicação, deixe claro qual foi a metodologia escolhida e que todos a usem, de forma a permitir comparações.

O pessoal do jornal arriscou criar uma grande migração de equatorianos para a Ucrânia. Já pensou? =)

Se bem que eles devem estar precisando, a situação demográfica lá é complicada. Mas isso fica para outro dia.


Escrito por Philipe às 19h45
[] [envie esta mensagem] []



Para quem acha que tudo só piora

1. DDR: De 1949 até 1990, República Democrática da Alemanha. Aquela mesma da Stasi e que mandou construir o muro de Berlim e que matou muitos que tentavam fugir do país. Hoje em dia, DDR e suas descendentes são memórias de alto desempenho para computadores, que cada vez mais estão rápidos e baratos. 

2. Hoje eu vi (e escutei) um militar de alta patente (devia ter cerca de trinta e cinco anos) cantarolando "Prá não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré. Para quem não sabe(todo mundo sabe, não é?), essa foi uma canção que foi utilizada em protestos contra a ditadura militar brasileira. Embora não goste da música, fiquei feliz com o fato do militar estar cantando-a. Sinal de normalização. =)


Escrito por Philipe às 18h34
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
 
 
       
   
Histórico

OUTROS SITES
    A garota 100% perfeita
  Tudo o que você sempre quis saber sobre a multa nos sushis que sobraram no rodízio... mas não tinha coragem de perguntar ao amigo economista
  E-book dos ditados populares
  Dilbert Blog (Scott Adams)
  Geek Press
  A Softer World
  Blog do Mankiw
  Publicidade Positiva
  De Gustibus Non Est Disputandum
  Temas em Economia
  xkcd
  Cracked
  Demography Matters
  Homo Econometricum
  Suspensão de Juízo
  Quatroventos
  phCastro
  Muçarela
  Todos os Links - Matizes Escondidos


VOTAÇÃO
    Dê uma nota para meu blog