Análise de Concorrência UFMG - Engenharia de Minas, Geologia e Engenharia Metalúrgica
Atenção: análise mais atualizada aqui. Hoje eu vi a tabela com as relações candidato/vaga do vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (na qual eu não estudo). Me chamou a atenção o fato de Engenharia de Minas, que durante muito tempo foi o patinho feio das engenharias, ter tido uma procura muito elevada em relação ao meu ano de vestibular (2003). Bom, achei que tal crescimento tinha tudo a ver com o boom na produção minerária de Minas Gerais. De fato, a indústria extrativa mineira cresceu 12,7% entre 2004 e 2005 e 8,8% entre 2005 e 2006 (dados da Fundação João Pinheiro). Numa tentativa de quantificar essas impressões, fiz algumas pesquisas e alguns gráficos. Vou marcar em algumas das ilustrações abaixo o ano de 2004, que identifico como o ano do boom do minério de ferro, que é o principal produto mineral exportado por Minas. Os dados do preço do minério vinham do site Econstats (infelizmente não mais disponível online) e os dados de concorrência do vestibular eu consegui no site da Universidade e nos manuais de vestibular que eu tenho em casa. Me desculpem a má formatação dos gráficos, mas até o meu professor superrigoroso de estatística, Ronaldo Oleto, abria exceções para gráficos no Excel. Vamos lá: 
Temos que, a partir de 2004, a relação candidato vaga dos cursos de Geologia e Engenharia de Minas na UFMG se tornam sempre crescente, em vez de variar em torno de um valor médio, como ocorria antes.
Aqui, a fim de comparação, eu fiz o seguinte. Peguei as relações candidato vaga para o vestibular da UFMG para nove cursos. Agreguei-os e tirei a média da concorrência de cada ano, de 1999 até 2007. O G1 é formado pelos cursos de Geologia, Engenharia Metalúrgica e Engenharia de Minas. No grupo G2, tentei colocar cursos de perfil semelhante aos do grupo G1, mas que não acho que tenham sido muito afetados pela variação no preço do minério de ferro. Integram o G2 os cursos de Engenharia Química, Engenharia de Controle e Automação e Geografia (bacharelado e diurno). No G3, coloquei cursos que considero tradicionais, como definidos pelo diálogo do inconsciente coletivo: - O que você quer ser quando crescer? - Ou médico ou advogado ou engenheiro! Agrupei e tirei a média da concorrência para os cursos de medicina, direito (diurno, para os anos de 2004 a 2007 e sem informação de turno para os demais anos) e engenharia civil. O resultado: 
O grupo G2 flutua em torno de uma média e é ultrapassado pelo grupo G1 no final do período. O grupo G1 apresenta crescimento em todos os anos a partir de 2004 (esse, inclusive). O grupo G3 apresenta tendência de queda durante a maior parte do período, mas essa é revertida no final.

No gráfico acima, plotei os valores das concorrências do grupo G1, de 1999 a 2007, contra os valores da tonelada do minério de ferro. Há uma associação positiva entre o preço em dólares do minério e a concorrência no agregrado de cursos G1.

O gráfico acima mostra a evolução da concorrência total na UFMG e nos cursos do agregado G1, de 1999 a 2007. Vemos como a concorrência total apresenta uma tendência de queda, enquanto o agregado G1 apresenta uma tendência de alta, ultrapassando a concorrência total da UFMG no final do período. Eu até poderia até expurgar o agregado G1 para conseguir a concorrência total - líquida de G1, mas como não tenho acesso aos dados desagregados com muita facilidades, daria um trabalho imeeenso.
Em resumo: os cursos da UFMG, em geral, estão se tornando menos concorridos. Cursos ligados à mineração são exceção, o que talvez possa ser explicado pelo boom das commodities, como exemplificado e aproximado pelo caso do minério de ferro.
Escrito por Philipe às 13h17
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