Matizes Escondidos

11/08/2007

À luta!

Tenho recebido muitos emails de pessoas com nome "philipe alguma coisa". As pessoas me dizem que deve ser spam, mas eu acho que não. Devem ser pessoas que se sentem traumatizadas com o fato de ninguém saber escrever o seu nome corretamente. E acho que elas expressam essa raiva também escrevendo coisas meio erradas e desconexas (como "mitocôndria é ré" e "estacionamento cheio de graxa") também, numa espécie de meta-protesto. Quem com ferro fere...

Essas pessoas, quando pararem de protestar contra o fato de não terem seus nomes escritos de maneira correta, certamente irão fundar uma ONG, que buscará gordas indenizações junto ao governo. Sim, pois pode ser massacrante para sua autoestima. Afinal, não é qualquer um que se recupera ao ver seu nome grafado como Fhelipe, Philiphe, ou, o pior de todos, Feliphe.

Mas, mesmo que os cínicos que dizem que se trata de spam e não de mera solidariedade estejam certos, estou certo de que esses pessoas humanas que tem um nome semelhante ao meu e me mandam email têm um intento nobre, como vender livros "Meu nome, minha vida", que irão mobilizar os portadores de NFEI (nome frequentemente escrito incorretamente). Somente não tenho certeza absoluta porque meu provedor é do time dos céticos e não me deixa ler as imagens dos emails dos companheiros de luta, num ato que deixaria indignado o mais ferrenho censor chinês.

Voltaremos. E seremos milhões.


Escrito por Philipe às 14h17
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Cena do cotidiano

Diálogo entre alunos no Fórum de Políticas Sociais:

- Ali no slide está escrito que é importante enfatizar o papel da mulher nos programas de transferência de renda...

- É, elas tem preferência nesses programas. A justificativa é que elas têm propensão menor a gastar com bebida, jogo e... mulheres.


Escrito por Philipe às 14h00
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09/08/2007

Você não podia ficar sem saber

Você sabia?

O processador 80386, aquele mesmo que tinha no computador da empresa do papai nos idos de 1990, ainda é produzido, embora esteja planejado para sair de linha mês que vem. Ele tem um design robusto e plenamente amadurecido. Assim, ele é ideal para sistemas que exigem muita resiliência, como satélites e piloto automático de aeronaves.

Na wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Intel_80386


Escrito por Philipe às 07h01
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08/08/2007

O adeus às esmolas

O NY Times resenha o livro de Gregory Clark, A Farewell to Alms, aqui.

For thousands of years, most people on earth lived in abject poverty, first as hunters and gatherers, then as peasants or laborers. But with the Industrial Revolution, some societies traded this ancient poverty for amazing affluence.

Historians and economists have long struggled to understand how this transition occurred and why it took place only in some countries. A scholar who has spent the last 20 years scanning medieval English archives has now emerged with startling answers for both questions.

O livro está disponível para encomenda (6 semanas) na Livraria Cultura, aqui.


Esse papo de economia ser "a ciência triste" ou "lúgubre" (dismal science) não é por causa de Malthus não,ao contrário do que a sua professor a de história lhe disse. Da Wikipedia:

Developing a deliberately paradoxical position, (Thomas) Carlyle argued that slavery was actually morally superior to the market forces of supply and demand promoted by economists, since, in his view, the freeing up of the labor market by the liberation of slaves had actually led to a moral and economic decline in the lives of the former slaves themselves.


Escrito por Philipe às 07h56
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Vão fazer uma daquele sapo também?

O que esse policial está fazendo com uma braçadeira da Hello Kitty? Descubra no NY Times.


Escrito por Philipe às 07h42
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07/08/2007

Juristas altamente enriquecidos (95%)

Circulo entre advogados e pré-advogados, a maioria deles pessoas excelentes. Aliás, a pessoa nasce advogada ou se torna advogada?

Bom, o que queria fazer é o seguinte: eu tentei fazer um pequeno modelo super simples de corrida armamentista entre EUA e URSS.


Cada país escolhe entre se armar ou não. Armar-se custa caro, então essa opção faz com que o país se torne "pobre". Entretanto, se o país não se armar, o outro país irá invadir e pilhar suas riquezas. O país pilhado se torna "superpobre" e o país que pilha, "superrico".

A questão aqui é que, independentemente do que o outro país fizer, é bom se armar. Se o outro país se arma e você não, você fica é pilhado e fica "superpobre". Já se ele se arma e você também, pelo menos você não é pilhado. Se ele não se arma, você pode pilhá-lo e ficar seguro e "superrico". Não importa o que o outro país faça, é melhor que você se arme também.

Vamos definir o valor de cada situação como:

Superpobre = 0
Pobre = 1
Rico = 2
Superrico = 3

Não seguro (pilhado) = 0
Seguro = 1

A distribuição de valor é a seguinte:

Se os dois países renunciam às arma, a soma de valor é de 6, cada um com 3.
Se um país se arma e o outro não, a soma é de 4, que é toda de um país só.
Se os dois se armam, a soma é de 4, cada um com 2.

Como vimos em cima, o problema é que os dois países fazem o cálculo de que se armar é melhor. Daí passamos a situação de equilíbrio sub-ótimo em que a soma de valor é de 4. Se os dois países entrassem em um acordo crível de renúncia às armas, o equilíbrio seria ótimo, em que a soma de valor é de 6.

Isso não tem nada demais. O que eu achei legal é estender esse raciocínio para a atividade legal. Se em vez de países, temos duas pessoas, e em vez de armas temos advogados, podemos chegar a uma situação semelhante.


Estamos partindo do suposto que ambas as partes têm direitos iguais a um bem que pode ser redistribuído. O raciocínio é o mesmo desenvolvido acima. Se eles têm direitos iguais a um bem e cada parte pode tomar posse dele através de litígio, temos um cenário de corrida armamentista. O melhor resultado é aquele em que ambos abrem mão do litígio. Vamos ser amigos aí, hein, gente! E poupar nossos amigos advogados de comparações com armas nucleares. =)

PS: Não sou estudo economia, embora goste da área e a ache muito relevante. Assim, em caso de algum erro no raciocínio acima, correções são mais do que bem-vindas. "Se gostar, diga aos outros. Se não gostar, diga para a gente."


Escrito por Philipe às 08h17
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05/08/2007

Ei, moço, cabe mais um aí em cima?

Do Blog RelNet:

Ha-Joon Chang e a escada que não levou a lugar algum

O professor Ha-Joon Chang, da Universidade de Cambridge, ataca novamente. Após o choque que o seu livro causou nos círculos liberais, o autor prepara-se para lançar outra obra: Bad Samaritans - Rich Nations, Poor Policies, and the Threat to the Developing World. Segunda, no The Independent, ele deu uma prévia do volume. Fiquem com um trecho:

(…) since the 1980s the “Bad Samaritan” rich countries have imposed upon developing countries policies that are almost the exact opposite of what they used in the past. But these countries condemning tariffs, subsidies, public enterprises, regulation of foreign investment, and permissive intellectual property rights is like them “kicking away the ladder” with which they climbed to the top - often against the advice of the then richer countries.

Both the history of rich countries and the recent records of developing countries point to the same conclusion. Economic development requires tariffs, regulation of foreign investment, permissive intellectual property laws, and other policies that help their producers accumulate productive capabilities. Given this, the international economic playing field should be tilted in favour of the poorer countries by giving them greater freedom to use these policies.

Sou cético quanto à tese do economista. Primeiro, desde o Kicking away the ladder, o autor faz um nexo de causalidade muito restrito entre políticas protecionistas e desenvolvimento. Na verdade, há uma ampla gama de variáveis mais importantes ao desenvolvimento no nível microeconômico que não são colocadas como centrais pelo autor — respeito aos contratos, ambiente econômico voltado à inovação e ao empreendedorismo, marcos regulatórios domésticos. São esses alguns fatores que ajudam a explicar o porquê de tantos países terem fracassado em políticas de substituição de importação e outros mecanismos heterodoxos advogados por Chang, enquanto outros conseguiram ser bem sucedidos aplicando políticas semelhantes.

Segundo, há uma visão de história econômica bastante distorcida por parte de Chang. Ele se esmera em avançar a idéia de que, hoje, estão querendo retirar dos países em desenvolvimento a possibilidade destes utilizarem mecanismos protecionistas que foram aplicados no século XIX para alavancar a economia dos países hoje considerados desenvolvidos. No entanto, de acordo com hum estudo recente, de Coatsworth e Williamson.pdf, a América Latina foi mais protecionista que a Europa e os Estados Unidos no século XIX, inclusive até às vésperas da Grande Depressão. Isso, como bem sabemos, não levou a um crescimento econômico da região maior do que o do centro capitalista. No caso, portanto, foi a América Latina que estava utilizando a escada de Chang, e, como os dados do trabalho de Coatsworth e Williamson revelam, ela seguramente não levou as economias da América Latina ao Eldorado previsto pelo economista de Cambridge.


Escrito por Philipe às 17h19
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