Sula!
Outro dia eu vi "O hospedeiro" no cinema. É um filme diferente, coreano, com uma mistura de filme de "monstro" com comédia e non-sense. É bom e recomendo.
Nesse espírito, eu me lembrei de uma historinha que li na sétima série. Assim como o filme, é de "monstro" e non-sense, embora não necessariamente engraçada. Eu a digitalizei e coloco aqui no blog.
É um excerto de "Terror nas sombras", de Antônio Carlos Neves. Relata o encontro de Sulamita com uma barata gigante.

Aquilo não existia. Era uma coisa absurda, simplesmente não poderia estar ali, bem à sua frente, olhando-a nos olhos, como alguém que encontramos dentro de um elevador. E, no entanto, existia. Estava bem ali. Uma monstruosidade. "Meu Deus, só posso estar sonhando!", ela pensou, piscando muito os olhos, ainda incrédula. O local - um esgoto - era até adequado. Mas como podia existir uma coisa assim tão impossível? Dando um passo atrás e soltando a escada de ferro que a levaria até a superfície, Sulamita suspirou de terror: por mais de dez segundos simplesmente não respirara, os pulmões colados de tanto pavor. Diante dela estava uma barata com mais de dois metros de altura e cujo comprimento perdia-se dentro de um dos túneis, esfregando as patas dianteiras, como um comilão satisfeito diante do prato de boa comida. - Nãããooo! Finalmente ela conseguiu gritar, o medo e o nojo correndo por suas veias e eriçando os pêlos de seu corpo, como uma descarga elétrica. A barata pareceu, por um momento, incomodada com o grito - ergueu as patas finas e denteadas e recuou ligeiramente. Como se um sinal fosse dado, o ruído de fricção desapareceu. A vida é um dom precioso e somente na hora de perdê-la é que se tem a noção exata de sua magnitude. Desesperada, Sulamita começou a subir a escada - ou, pelo menos, tentou subir. O nervosismo a atrapalhou e ela não conseguiu manter-se firme sobre o degrau, escorregadio de limo e sujeira, o pé deslizando sobre a barra enferrujada a cada tentativa de firmar-se. Alucinada, olhou para trás, apenas para descobrir que a barata tornava a se mexer. Por um momento, que lhe pareceu sem sentido e fora de hora, pensou que a barata não poderia voar ali dentro com aquelas asas que encostavam no teto do túnel maior e ainda perdeu alguns segundos valiosos imaginando como ela faria para percorrer todos os labirintos mais estreitos. Então a barata avançou. Quase paralisada de tanto medo, com o nojo revolvendo suas entranhas, Sulamita agarrou as barras laterais da escada e pulou sobre o degrau: os pés resvalaram no limo, deslizaram, e ela sentiu uma dor alucinante quando suas canelas bateram violentamente contra o degrau de ferro. Estava pendurada na escada, sustentada apenas pelas mãos, sentindo as farpas metálicas soltas pela ferrugem magoando sua pele. Então a barata, fétida e áspera, a envolveu. As pernas pareciam serras em torno de sua cintura, rasgando a roupa e ferindo seu corpo. Ela gritou de dor, desespero e muito medo. Entretanto, ainda teve lucidez para saber que a cabeça da barata estava exatamente sobre sua nuca, podia até sentir uma espécie de hálito quente e nauseabundo espalhando-se como uma nuvem de gás venenoso em volta de sua cabeça. Ela ia enlouquecer! Foi a fraqueza que a salvou momentaneamente. Sentiu uma vertigem que fez rodopiar tudo em volta - escada, túnel, barata e fezes secas - e sentiu que, apesar do abraço mortal do inseto, escapava em direção ao chão. Caiu deitada de lado. E, na semi-escuridão em que estava, percebeu a silhueta daquele monstro impossível contra a claridade da abertura lá em cima, onde estava sua salvação, como uma vida que lhe acenasse com uma nova chance. Sabia que estava perdida. Então, numa última explosão de revivência, lembrou-se dos filhos, como se um filme corresse bem à sua frente, mostrando-os em seus minutos e anos de crescimento, com as descobertas dos primeiros passos e da primeira palavra inteligível, a escola, os passeios, em que o marido assemelhava-se a uma sombra vigilante, mas sempre distante - tudo em não mais que poucos e finais segundos de vida. O cheiro de sangue, escorrendo pelas feridas abertas em sua cintura, pareceu aguçar ainda mais o apetite da barata e ela tornou a atacar. Em breve, nada mais restava. (...) Satisfeita, a barata ficou um instante esfregando as patas, pequenos ruídos de fricção espalhando-se pelo esgoto. Depois, uma espécie de arroto aflorou à superfície daquela aberração e ela, como uma fumaça dentro de uma ventania, evaporou-se. Desaparecera como um sonho. Como uma fantasia.
Escrito por Philipe às 12h58
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Comunismo II
Vocês viram o camarada (oh, foi sem querer! Juro!) polonês que entrou em coma há 19 anos atrás e acordou faz poucas semanas?
Eu queria ter escrito algo sobre isso aqui há mais tempo, mas esqueci. Parece Adeus, Lênin, não é?
Quais são as diferenças entre a Polônia de então e a atual?
"When I went into a coma there was only tea and vinegar in the shops, meat was rationed and huge petrol queues were everywhere," Grzebski tells TVN24, according to Reuters. "Now I see people on the streets with cellphones and there are so many goods in the shops it makes my head spin."
Comunismo pode até ser divertido, desde que seja no Gulag dos outros...
Escrito por Philipe às 17h42
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3 minutos
O melhor amigo do homem solteiro é o macarrão instantâneo. Há uma pletora deles, mas o preferido de 9 entre cada 10 preguiçosos é o Nissin Miojo Hot. Se outros são como eu, o tempero do Miojo Hot é igual aos outros, o que faz a grande diferença é a massa, que é mais encorpada em relação aos outros macarrões instantâneos.
Estava lá eu um dia desses no supermercado para comprar meu Miojo Hot. Infelizmente não o achei. Nesse caso, tive de comprar outro macarrão. No caixa, a pergunta de sempre: Encontrou tudo o que desejava? Geralmente eu respondo que sim (mesmo quando não achei o que procurava). Mas nesse dia eu fiquei decepcionado por não achar meu miojo preferido. Respondi à moça que não tinha achado o meu macarrão. E ela: Ok, vou anotar aqui... Eu fiquei olhando para a mão da caixa para ver o que ela iria escrever...
E qual não foi a minha decepção quando vi que ela escreveu no papel que eu não tinha achado Nissin Rote. Eu acho que ela não estava fazendo gracinha e falando que eu não achei Nissin Vermelho em alemão. Eu fui embora para casa chateado por ter ficado sem o meu miojo preferido e pela moça do caixa, que não sabia como escrever hot...
Escrito por Philipe às 20h35
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