Matizes Escondidos

25/05/2007

As veias fechadas da América Latina.

                                 

Excelente artigo na Foreign Affairs sobre nacionalismo monetário: http://www.foreignaffairs.org/20070501faessay86308/benn-steil/the-end-of-national-currency.html

Uma parte do texto me chamou a atenção: It is often argued that dollarization is only feasible for small countries. No doubt, smallness makes for a simpler transition. But even Brazil's economy is less than half the size of California's, and the U.S. Federal Reserve could accommodate the increased demand for dollars painlessly (and profitably) without in any way sacrificing its commitment to U.S. domestic price stability.

Achei um pouco estranho, fui fazer algumas contas por conta própria.

Vamos lá:

PIB da California: US$ 1.7 trilhão(wikipedia)

PIB do Brasil (PPC): US$ 1,6 trilhão (The World Factbook)

PIB do Brasil (Taxa de câmbio): US$ 943.6 bilhões (The World Factbook)

Bom, parece que o artigo da Foreign Affairs estava levando em conta o valor do PIB brasileiro calculado pela taxa de câmbio. O PIB brasileiro tem um valor aproximado do PIB da California pelo critério de paridade de poder de compra (que me parece ser o mais adequado).

Como eu sei que todos vocês são bons nacionalistas e leram algumas vezes o clássico "As veias abertas da América Latina", me propus um pequeno exercício: e se os EUA simplesmente anexassem a produção econômica brasileira (PIB) completamente, o que ocorreria com o PIB deles?

Vamos lá:

PIB EUA: US$12,980,000,000,000

PIB Brasil: US$ 1,616,000,000,000

PIB Brasil / PIB EUA = 0.1245

Ou seja, se os EUA simplesmente anexassem a produção econômica brasileira de um ano, todinha, e levassem para lá, isso iria representar um aumento de menos de 13% do PIB deles. Menos de 13 porcento. Eles crescem um Brasil inteiro a cada três ou quatro anos. Não sei o que é mais triste: descobrir que o Brasil não é "explorado" pelos EUA (mesmo porque faríamos pouca diferença para eles) ou descobrir nossa pequenez. =(

Do Factbook, mais um choque de realidade:

Brasil: comércio exterior:

Exports - partners: US 19.2%, Argentina 8.4%, China 5.8%, Netherlands 4.5%, Germany 4.2%
Imports - partners: US 17.5%, Argentina 8.5%, Germany 8.4%, China 7.3%, Japan 4.6%

Enquanto isso, nem aparecemos na tabela de maiores parceiros comerciais dos EUA.

No final da história, não acho que o problema seja os EUA "explorarem" o Brasil. O problema mesmo é a nossa pequenez, nossa pequena inserção internacional, nosso pequeno crescimento econômico, nossas mazelas sociais...

Acorda, Brasil!!!

Essa nota não está em circulação. Not legal tender as of 2007.


Escrito por Philipe às 08h19
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23/05/2007

Só para caso alguém nunca tenha ouvido falar

"Dê infinitas máquinas de escrever para infinitos macacos, além de tempo infinito, e eles eventualmente produzirão todas as obras de Shakespeare."

Do http://cafehayek.typepad.com/hayek/

"In Fooled by Randomness, Nassim Nicholas Taleb gives the example of a person who wants to hire someone to type a copy of Homer's Odyssey. Suppose an infinite number of monkeys are typing on an infinite number of typewriters. One of them comes up with a perfect copy of the Illiad. This enterprising monkey shows up at your door, applying for the job of Odyssey typist. But you're a monkey, you reply skeptically. He takes out the perfect copy of the Illiad. You're stunned. And you apologize and hire him on the spot, foolishly interpreting the perfect manuscript of the Illiad as an indication of the monkey's skills.

Taleb's point is that before you decide that monkeys are good at typing, you want to know more about the denominator-the number of monkeys trying to type the Illiad. When people claim that this stock-picker or that fund manager is a genius because he's beaten the S&P 500 for 15 straight years, you should ask how many people are out there picking stocks and what proportion of those would be expected to beat the S&P for purely random reasons. It's possible there are fund managers who are genuinely skilled but the fact that they do well over some limited time period is not proof.

A more mundane application is asking for references from a contractor. I always ask for two or three references. But a contractor who has been in business for any length of time will be able to find a few good ones-even a few raves-that may not be representative of the typical experience of the firm's clients. The better strategy is to ask for references from the last three clients or clients from the last six months.

Here is a wonderful page on the infinite monkey metaphor. It will give you a healthy sense of what low-probability events really mean:

One computer program run by Dan Oliver of Scottsdale, Arizona, according to an article in The New Yorker, came up with a result on August 4, 2004: After the group had worked for 42,162,500,000 billion billion years, one of the "monkeys" typed, "VALENTINE. Cease toIdor:eFLP0FRjWK78aXzVOwm)-`;8.t . . ." The first 19 letters of this sequence can be found in "The Two Gentlemen of Verona". Other teams have reproduced 18 characters from "Timon of Athens", 17 from "Troilus and Cressida", and 16 from "Richard II".[20]

A website entitled The Monkey Shakespeare Simulator, launched on July 1, 2003, contained a Java applet that simulates a large population of monkeys typing randomly, with the stated intention of seeing how long it takes the virtual monkeys to produce a complete Shakespearean play from beginning to end. For example, it produced this partial line from Henry IV, Part 2, reporting that it took "2,737,850 million billion billion billion monkey-years" to reach 24 matching characters:

RUMOUR. Open your ears; 9r"5j5&?OWTY Z0d...

Even more entertaining is this study of actual monkeys:

In 2003, lecturers and students from the University of Plymouth MediaLab Arts course used a £2,000 grant from the Arts Council to study the literary output of real monkeys. They left a computer keyboard in the enclosure of six Sulawesi Crested Macaques in Paignton Zoo in Devon in England for a month, with a radio link to broadcast the results on a website. One researcher, Mike Phillips, defended the expenditure as being cheaper than reality TV and still "very stimulating and fascinating viewing".[24]

Not only did the monkeys produce nothing but five pages[25] consisting largely of the letter S, the lead male began by "bashing the hell out of" the keyboard with a stone, and the monkeys continued by urinating and defecating on it. The zoo's scientific officer remarked that the experiment had "little scientific value, except to show that the 'infinite monkey' theory is flawed". Phillips said that the artist-funded project was primarily performance art, and they had learned "an awful lot" from it. He concluded that monkeys "are not random generators. They're more complex than that. ... They were quite interested in the screen, and they saw that when they typed a letter, something happened. There was a level of intention there."[24][26]"


Escrito por Philipe às 20h20
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Smell like movies

Nas últimas vezes que fui ao cinema, havia pessoas perfumadas no meu entorno.

Achei interessante como o cheiro do perfume se ajustava bem aos filmes. Sim, acho que o cheiro se adaptou bem aos filmes (e não que os filmes tenham se adpatado ao perfume). Claro, tudo isso na minha cabeça.

Daí veio a idéia: os filmes já utilizam dois sentidos: visão e audição. Por que não fazer salas de cinema com aspersores de fragrâncias?

Por exemplo, em uma cena de festa, as salas poderiam aspergir cheiro de perfume. Em uma cena de chuva, um ligeiro cheiro de "molhado".

Como os cheiros simplesmente não somem na mudança de cenas, seria interessantes usar poucas fragrâncias por filmes, talvez três ou quatro, e todas elas bem suaves.

Não acho que iria "pegar", mas seria divertido.


Escrito por Philipe às 18h30
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21/05/2007

Typo

É engraçado digitar www.wikipeida.org em vez de http://www.wikipedia.org. É mais engraçado ainda digitar http://www.wikipeidai.org.

Peidai! Tipo, soa meio imperativo, é muito engraçado.

Só espero que a rotina e o tempo não destrua a capacidade de achar graças nas coisas...

Confesso, digitar wikipeidai é meio raro. Mas acontece!


Escrito por Philipe às 20h03
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Complexo de Édipo??? Nein!

Se você tiver uns 15 minutos (ver post abaixo), recomendo dar uma olhadinha no Project Implicit.

É um interessante experimento que permite que as pessoas analisem associações existentes no seu inconsciente a respeito de questões como discriminação racial e homofobia.

Se perguntarmos a uma pessoa se ela é racista ou se discrimina, digamos, idosos, ela provavelmente dirá que não. E ela provavelmete vai estar sendo sincera, a maior parte de nós não percebe conscientemente nossos vieses e preconceitos. Assim, precisamos de um outro método para aferir no que se passa em nosso inconsciente. É aí que entra o Implicit Association Test.

Da sempre presente Wikipedia.org:

The Implicit Association Test (IAT) is an experimental methodology within the discipline of social psychology designed to measure the strength of association between mental representations of objects in memory. The IAT requires the rapid categorization of various stimulus objects, such that easier pairings (and faster responses) are interpreted as being more strongly associated in memory than more difficult pairings (slower responses).

The IAT is a tool in the development of theories of implicit social cognition, a body of results that suggest that many cognitive processes that affect behavior are unconscious in nature and are inaccessible to observation by the actor. These implicit processes affect perception, influence behavior, and color interpretation of past events.

O procedimento utilizado pelo IAT é muito legal. Muito mesmo. Recomendo bastante fazer o teste. Inclusive, há uma versão em português (de Portugal), aqui.

A última vez que eu fiz, meu resultado foi que eu não sou homofóbico. Hehe, viu como eu posso ser politicamente correto de vez em quando? =)


Escrito por Philipe às 19h47
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Você tem um blog! Mas tu tem tempo, hein, cara? Vai trabalhar!

Vocês já viram o camarada que toca músicas do Mario (aquele que encanador gordo que consertou o vazamento atrás do armário) no piano? É, músicas do jogo de videogame. Você pode conferir aqui.

É impressionante. O camarada deve ter treinado muito temp opara conseguir fazer tal proeza.

Mas esse não é ponto ao qual desejo chegar. É que diversas vezes eu escutei gente falando "Nossa! Que falta do que fazer!" quando se deparavam com esse tipo de feito. Para elas, o cara tocar as músicas do Mario no piano é explicado pelo cara "não ter o que fazer", ou ainda não "teria o que fazer" o cara que faz filas belas e enormes de dominó para depois derrubar, ou seria um desocupado os caras que fizeram " o cara tussiu".

Será mesmo? Acho que as pessoas que dizem que esses feitos são coisa de gente "à toa" não conseguriam fazer o que os supostos desocupados fazem mesmo com muito mais tempo. Eles fazem pouco caso dos caras, mas na verdade, não chegam nem aos pés deles. O principal insumo para realizar tais coisas não é tempo e sim talento e capacidade de se esforçar!

Tenho me policiado para não falar que realizar esses feitos é coisa de desocupado.

Vou e monto o meu!


Escrito por Philipe às 19h35
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20/05/2007

Link-o-rama

Pois é, mas muito antes da Wikipedia já dava ser divertir (?) dessa forma com o Everything2.com.

Eu lembrei desse site outro dia, eu costuma ler antes de surgir a Wikipedia. Eu estava a fim de lê-lo novamente, mas eu tinha me esquecido de como o site se chama. Aí eu lembrei de um tópico chamado "Tesla coil made me cry". Corri para a pesquisa na net (Google ou Yahoo, não me lembro.) E estava lá.

Sinceramente, não se esquece um tópico com um nome desse. É, pelo nome mesmo, porque o tópico nem é tão legal assim...


Escrito por Philipe às 16h23
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