Matizes Escondidos

23/02/2007

Nunca se esqueça

Psicologia 2 x Freud e psicanálise, 0

Do Yahoo! News:

Sigmund Freud developed a theory that victims of horrific events repressed difficult memories in order to cope with what happened to them.

But scientists at Dalhousie University in Halifax found in a five-year study that pleasant events were more difficult to recall than unhappy ones.

(...)

"I think it's quite obvious that these types of events really permeate our conscious awareness. They were just haunted by them," he said referring to the traumatic events.

"I think this provides evidence that (Freud's theory) is completely off-base," said Porter, whose findings will be published in the journal Psychological Science.

"It really makes good sense to remember the event well in the future so we can avoid those circumstances and maximize our chances of survival," he added.

A evolução seleciona seres aptos para sobreviver e reproduzir, o que nem sempre significa que esses comportamentos também causem bem estar e felicidade.

Um trecho notável de uma série de TV da BBC sobre o corpo humano. O cenário é um ringue de luta de boxe:

"Our bodies are designed to give us a massive kick when we are winning. Whether it is getting a job, being top of our class, or winning our Olympic goal; our responses are the same the world over. When we are close to winning, our bodies and minds work in harmony to make sure that victory is sweet. As soon as we realize that the win is within our grasp, our focus gets shaper, our reflexes faster - we feel unbeatable -- and we get the full reward. When we get that first taste of victory, the brain chemical dopamine stimulates the pleasure center of our brain, creating a profound sense of well-being. Next, endorphins rush through our bodies fighting exhaustion and making us feel euphoric. This is the body's natural high. Endorphins do one more remarkable thing: Even though the boxer has broken a rib, he will barely feel a thing because endorphins block pain by stopping the sensation from reaching our spinal cord and brain. But that's not all - there's more to winning then just a buzz. Adrenaline from the adrenal gland near the kidneys and testosterone flood through our bloodstream; they've already given us strength during the competition and now they keep us alert and speed our recovery. We breath more deeply, and our heart rate increases taking in more oxygen rich blood to our brains and muscles. Now we are primed and ready to take on the world again."

Mas e do outro lado?

"We are natural competitors, and this competitiveness forces us to constantly strive for more. However, because we have evolved a body that rewards us with a powerful chemical reward every time we compete and win, we keep on striving for more. But evidence is now emerging that suggests that there is a more powerful instinct that keeps up striving us upward and forward. One of the most potent motivations we possess is the fear of failure. Sure, losing feels bad, and not without good reason - the results could be disastrous - losing is a more powerful and enduring experience than the rewards of winning could ever be. Failure feels terrible; and to understand why, we need to look inside our own bodies. Losing is overwhelming; when we start to lose, our reward system is switched off. The feel good chemicals such as endorphins and dopamine that kept us going during the fight begin to ebb away. We enter a downward spiral that makes losing an almost certainty. Suddenly, we feel every ounce of our exhaustion, every bit of our pain. Every single muscle ache, unlike the victor, becomes apparent once we realize we have lost; and this triggers the release of the stress hormone cortisone. When mixed with adrenaline already flowing through our bloodstream, we feel anxious and even frightened. And if the lost is catastrophic, a primitive response we share with reptiles kicks in; we become immobilized. The bodies' nonessential functions shut down in order to protect the brain; the vegas nerve slows our heart; suddenly, blood flows out of the gut and we get that sinking feeling in the pit of our stomach; our muscles slacken; we lose control of our limbs [we pass out]. But our body has one final function to teach us a lesson - every time we lose; the hippocampus in the brain is stimulated making sure we remember the loss forever. And at the center of our emotions, the amygdala, fuses that memory to a profound sense of misery. All this creates a powerful reminder of failure to put us off from making the same mistake again."

Profound sense of misery. Nunca se esqueça.


Escrito por Philipe às 10h45
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22/02/2007

Gente rica. Ou não.

Eu não sabia que era comum.

Eu me lembro da primeira vez em que vi (e usei) um sabonete cremoso de erva doce. Foi em 1994. À época, me lembro de ter ficado impressionado com o luxo e o cheiro. "Uau, um sabonete cremoso. E de erva doce".

Hoje eu sei que não era nada demais. Todos os sabonetes cremosos (ok, quase todos) são de erva doce.

Sabe, tem algumas coisas que são difíceis de se sintetizar em laboratório. O sabor e o aroma de maçã. São mais de 50 substâncias diferentes, algumas doces, outras azedas, em proporções cuidadosas e interações complicadas. Para fazer o sabor de bala de maçã, como não é possível recriar tudo isso, usa-se açúcar para representar os sabores doces e um ácido para os sabores azedos, e um ou dois compostos para o resto do aroma. Como todos sabem, embora bom, o sabor de uma bala de maçã não é parecido com o da coisa real.

Já o caso da canela é mais simples. Há uma substância química só que é resposável por quase todo o gosto e cheiro. Assim, é mais fácil criar uma bala de canela.

Acho que o caso da erva doce é igual ao da canela. Deve ser muito fácil recriar o cheiro da erva doce. Deve ser muito barato recriar o cheiro da erva doce. Deve custar um centavo o quilo da essência.

Afinal, quase todo sabonete cremoso tem cheiro de erva doce.

Quase todo.

Quase todo.


Escrito por Philipe às 22h05
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20/02/2007

Dicas para o cidadão

Todo mundo gosta do YouTube, mas um problema sério é que só tem jeito de ver os vídeos online, e cada vez que você deseja ver um filme novamente, deve esperar baixar tuuuudo de novo. Isso é especialmente problemático quando o vídeo tem uns bons dez minutos. Concordam?

Bom, na verdade você pode ver os vídeos offline também! Você baixa o arquivo e pode conferir depois, sem precisar esperar carregar ou estar online. O segredo está no site http://keepvid.com. Coloque a URL do vídeo e peça para ele baixar o arquivo.

O arquivo resultante estará no formato FLV. Será necessário um programa que leia FLV para reproduzir o filme. Uma opção é o nFLVPlayer, mas o melhor mesmo é instalar o KLM Codec, facilmente achado na internet.


Escrito por Philipe às 21h28
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18/02/2007

Holocausto - Personalidade Autoritária? - Sobre o mal

O que é capaz de explicar como um fenômeno extremo, cruel e complexo como o Holocausto venha a ocorrer?

Algumas pessoas acham que a resposta jaz nos indivíduos, considerados individualmente. Essa é a abordagem da chamada Escola de Frankfurt, que analisa o fenômeno como tendo raiz numa personalidade autoritária: a explicação seria encontrada em traços psicológicos que estariam por trás da ascensão dos regimes totalitários e os programas de extermínio. É estranho, porém, como a personalidade autoritária teria sumido de cena rapidamente após o fim da Segunda Guerra na Alemanha (Ocidental) e na Itália. Em pouco tempo esses países eram democracias. Mas mesmo na Alemanha Oriental, que acabou num regime comunista no estilo soviético, ouve levantes conta a ditadura do partido (a revolta de 1953, por exemplo).  Assim, acho que a personalidade autoritária não pode explicar bem o fenômeno a que se propõe.

Acho que uma explicação mais completa deve levar em conta também o contexto social da época. O Holocausto (como outros genocídios) seria uma complexa interação entre a natureza humana e contextos específicos. Nessa direção, um trabalho que considero magistral é o do professor Philip Zimbardo. Ele tem um análise muito interessante de como pessoas comuns e normais (como eu e você) foram capazes de perpetrar atos horrendos durante a Segunda Guerra e em outras diversas situações através da história.

O trabalho dele que considero essencial está disponível em http://philipe.maciel.sites.uol.com.br/blog/Evil.pdf. Se o leitor tiver um mínimo de conhecimento em inglês e em psicologia ou outras ciências sociais, recomendo muito lê-lo (mesmo no carnaval). É um trabalho muito esclarecedor.

O próprio texto dá mais referências de onde buscar mais fontes para aprofundar o estudo, caso o ache interessante.


Escrito por Philipe às 19h10
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