Matizes Escondidos

13/01/2007

A batata e a senhora Mondegreen

Você sabia que na músiquinha "Batatinha quando nasce..." o correto é  espalha rama pelo chão e não esparrama pelo chão?

Esse é um fenômeno na comunicação que se chama Mondegreen. Na Wikipedia tem um artigo legal sobre o tema: http://en.wikipedia.org/wiki/mondegreen. O nome vem de escutar, do verso "And laid him on the green", o verso "And Lady Mondegreen."

Alguém sabe de uma lista de Mondegreens em português? Eu achei aqui e aqui.

Ah, as pessoas... =)

 


Escrito por Philipe às 20h43
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12/01/2007

Usando a economia para se livrar de pregadores religiosos

A economia pode nos ajudar em diversos setores da vida!

Uma cena recorrente na vida de quase todos nós são os pregadores religiosos batendo no portão. Como se livrar deles de maneira adequada é um problema. Eu, pelo menos, sempre tenho mais o que fazer, mas não quero ser grosso e dispensá-los rudemente. O que fazer?

Uma coisa que você deve saber: eles oferecem uns livrinhos. Ah, esses livrinhos são um show à parte. O problema é que se você aceitar esses livrinhos, eles vão voltar à sua casa daí a uns 5 dias e DISCUTIR o conteúdo deles. E eles vão GRUDAR em você.

Você pensa que é fácil, então. É só não aceitar os livrinhos e pronto, acabou.

Não, não acabou não.

Eles não desistem fácil. Eles insistirão como um chiuahua agarrado a um osso.

Eles insistem. Insistem. Insistem.

Geralmente eu tinha problemas em convencê-los a ir embora. Mas hoje eu tenho uma solução que funciona sempre!

Você tem de usar o conceito econômico de "custo de oportunidade". Clique aqui se você não souber o que é um custo de oportunidade.

Você diz para eles que conhece os livrinhos e não pode aceitá-los. Eles insistirão.

Aí você solta uma pérola do conhecimento econômico.

Diga que você já leu, e se você aceitar esses livrinhos, uma outra pessoa deixará de lê-los. Sim, diga para eles que há um número finito de livros. Se você o pega, é alguém que vai deixar de conhecê-los. Diga a eles que é uma pessoa que pode estar precisando mais do que você. Um livro que você pega é um livro a menos para o próximo.

Já apliquei esse raciocínio umas três vezes, e sempre "colou".

O melhor é que você ainda sai como o abnegado da história.

Viu como eu sou bonzinho? Deixei o livro para o próximo. É por essas e outras que eu vou para o céu. =)


Escrito por Philipe às 09h55
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09/01/2007

Post-a-secret

Eu já falei deste site antes, mas vale reiterar. O www.postsecret.blogspot.com é um projeto que funciona da seguinte maneira: cidadãos anônimos escrevem seus segredos em cartões postais feitos à mão e enviam para o site. Alguns são selecionados e expostos durante uma semana. Palavras não fazem justiça ao site; é preciso um acesso para conferir. www.postsecret.blogspot.com


Escrito por Philipe às 16h37
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08/01/2007

Velhas... e virgens!

Frame do clipe de Abre essas Pernas

Olá, pessoas.

Outro dia eu recomendei para vocês o curta "Quero ser Jack White". O curta é muito bom, bem produzido. Mas é beeem romântico. E vocês sabem, romantismo pode ser pesado às vezes.

Para contrabalançar isso, deixo como recomendação hoje uma obra prima de uma banda totalmente peculiar, A Banda das Velhas Virgens. Sim, esse é o nome da banda. E "Abre essas pernas" é o nome da música.

A melodia é de um blues-rock, e a letra.. Bem, a letra é um espetáculo à parte. Se faça um favor e veja o clipe!

Abre essas pernas pra mim baby
Tô cansado de esperar
Você dá pra todo mundo
Só pra mim que você não quer dar!

Frame do clipe de Abre essas Pernas


Escrito por Philipe às 21h12
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07/01/2007

O natal do prisioneiro

Uma das coisas mais chatas do final do ano novo é recomendar "feliz natal e próspero ano novo" para todo mundo. Acho que no fim ninguém gosta de ficar papagaiando essas coisas por aí. E é quase sempre da boca da fora. "Que bom! A moça da loja, que não me conhece, deseja, do fundo do coração, que eu tenha um feliz natal!" Ah, é, gosta de mim? Então faça meu natal e meu ano novo serem felizes! Sem contar o custo de ficar mandando scrap para todo mundo, respondendo email, e, o pior de tudo, os cartões de natal. Esses requerem que você saia de casa, compre um cartão, escreva uma mensagem, vá até o correio e mande esse pedaço de papel com filigranas.

Mas, no fim, todo mundo faz isso! Até eu (menos mandar cartão!). Por quê?

Uma possível discussão é esta, nos moldes de um dilema do prisioneiro. Aliás, se você não sabe o que é um dilema do prisioneiro, é importante aprender. Garanto que vai ser útil em diversas situações, não só acadêmicas. Em inglês, em http://en.wikipedia.org/wiki/Prisoner%27s_dillema. Em português, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro.

Vamos lá.

Você é uma pessoa igual às outras e todos têm 3 pontos de felicidade. Não gosta de cumprimentar as pessoas. Gasta tempo, dinheiro, paciência, hipocrisia, etc. Por isso, cumprimentar as pessoas consome 1 unidade da sua felicidade.

Por outro lado, se você não cumprimentar as pessoas, vai ser hostilizado, tachado de anti-social, insensível, isolado, economista e outras coisas ruins. E ninguém no nosso mundinho estilizado gosta de disso. Assim, ser hostilizado custa dois ponto de felicidade.

O que fazer? Supondo que todo mundo já tinha o hábito de cumprimentar quando você nasceu, você faz o seguinte cálculo: gostaria de não cumprimentar e nem ser cumprimentado (não perde tempo e não é tachado de anti-social), mas já que o costume já está lá, minimiza seu prejuízo cumprimentando (o que sacrifica um ponto de felicidade, em vez de dois). Todo mundo faz o mesmo cálculo e temos um equilíbrio onde todos cumprimentam, embora não gostem realmente de fazê-lo.

O melhor cenário é onde ninguém cumprimenta ninguém e todos ficam livres de fingir que gostam daquelas pessoas todas que cruzam seu caminhos entre os dias vinte e três de dezembro e primeiro de janeiro. Nessa hipótese, todo mundo ficam com seus três pontos de felicidade e o equilíbro é estável: ninguém vai ser doido de perder seu tempo cumprimentando as pessoas num costume que ninguém mais tem.

                                          O RESTO 

                            CUMPRIMENTA     NÃO CUMPRIMENTA
VOCÊ

CUMPRIMENTA               +2,+2             +2,+1  

NÃO CUMPRIMENTA        +1, +2             +3,+3 (felicidade total: 6)

Mas, como dito acima, o costume é não cumprimentar. E um indivíduo só não consegue mudar o mundo, pois é pequeno em relação à sociedade. Você está num equilíbrio caminho que os economistas chamam de subótimo, mas não pode mudá-lo, porque ele está enraizado nos costumes. É o que os acadêmicos chamam de dependência de trajetória. Mas isso já é economia política e vocês não querem escutar isso.

Ou querem?

Feliz natal! E um próspero ano novo! Mas esse é sincero! Se você lê meu blog, há uma grande chance de que eu realmente goste de você! =D

E viva o cumprimente sincero! Se eu lhe desejei feliz natal, é porque eu gosto de você de verdade.

PS: Ainda não conferi o texto acima. Algum erro ou incoerência, favor não fazer chacota de mim pelas costas: deixe um recado nos comentários!


Escrito por Philipe às 17h32
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You could have it sooo much better

Um artigo interessante sobre como nossa mente pode nos trair quando precisamos tomar decisões estratégicas importantes. O texto discute sobre como nossos processos mentais podem nos levar a guerras que muitas vezes são custosas e desnecessárias. Você o confere em http://www.foreignpolicy.com/story/cms.php?story_id=3660

Para quem se interessar sobre falhas e curto-circuitos lógicos na mente humana, um livro bom é o "A culpa é da genética", da editora Sextante.


Escrito por Philipe às 10h24
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