Cargo cult
Outro post "antropólogo". Da wikipedia:
A cargo cult is any of a group of religious movements in Melanesia, in the Southwestern Pacific, which believe that manufactured western goods ('cargo') have been created by ancestral spirits and intended for Melanesian people. Cult members believe that white people, however, have unfairly gained control of these objects. Cargo cults thus focus on overcoming what they perceive as undue 'white' influences by conducting rituals similar to the white behavior they have observed, presuming that the ancestors will at last recognize their own and send them cargo. Thus a characteristic feature of cargo cults is the belief that spiritual agents will at some future time give much valuable cargo and desirable manufactured products to the cult members. (...)
The most famous examples of Cargo Cult behavior have been the airstrips, airports, and radios made out of coconuts and straw.
http://en.wikipedia.org/wiki/Cargo_cult http://en.wikipedia.org/wiki/John_Frum http://www.smithsonianmag.com/people-places/10021366.html (Altamente recomendado se você tiver tempo).
Escrito por Philipe às 08h48
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28/11
Ontem de noite foi interessante.
Há muitos anos, um antropólogo chamado Napoléon Chagnon fez uma série de estudos de campo com os índios Ianomâmi (que vivem na Venezuela e no Brasil). Ele documentou diversos aspectos da convivência, do cotidiano, dos mitos, etc. Até hoje o trabalho dele é considerado referência.
Entretanto, uma das coisas que mais chamou a tenção dele é como rixas domésticas e entre diferentes aldeias frequentemente geravam brigas e até guerras. Ele documentou muito bem esse processo, o que gerou diversas críticas ao seu trabalho. Ele foi "acusado" de mostrar os índios como seres ferozes e guerreiros.
Porém, isso não é específico dos Ianomâmi. Qualquer povo "tradicional" que vive em condições semelhantes apresenta esses conflitos, às vezes de maneira muito intensa. Por exemplo, Jared Diamond, em seu trabalho com nativos da Papua Nova Guiné, também se mostrou surpreso com a facilidade com a qual famílias brigavam entre ei, e como vilas brigavam entre si. Nesses ambientes, acreditem se quiser, a taxa de mortalidade é muito alta.
Mas isso não significa que os índios amazônicos ou da Papua são selvagens ou ferozes. Significa apenas que, numa configuração tribal, a violência às vezes é muito comum. Afinal, não Estado para resolver pacificamente a disputa, nem polícia para apartar as brigas (apesar da intervenção de outros índios). Sem um meio institucional para resolver as diferenças, cabe aos próprios habitantes acertarem as contas pessoalmente. O que resulta nesse alto índice de mortalidade.
Como disse acima, isso resulta de uma dada configuração sociopolítica (a aldeira) e não de alguma característica inata desses povos. Fossem descendentes de holandeses ou suecos, numa configuração tribal, as coisas provavelmente seriam muito parecidas.
O trabalho de Chagnon é muito citado hoje referência para diversos campos, como a psicologia evolutiva. Aliás, a história do Chagnon é descrita no magistral "Tábula Rasa", de Steven Pinker. Um must-read.
Assim, foi muito legal ontem no Fórumdoc BH a exibição de álguns filmes baseados no trabalho de Chagnon. Eu estava lá e nunca os tinha visto. Depois da exibição houve também um debate muito legal com alguns cientistas sociais sobre a relevância desse trabalho. Mas o mais legal foi ver um próprio Ianomami comenta o filme, explicar que eles não são ferozes, nem maus, são apenas humanos e que, às vezes, os problemas surgem.
E, em dadas configurações sociais, surgem com mais frequência, dependo da configuração social... Afinal, em sociedades sem estado, a estratégia social, embora não exatamente hobbesiana, passa por um equilíbrio onde as diferenças devem ser resolvidas na "mão".
Se não formos "politicamente bobos" para acharmos que os índios vivem num mundo idílico, sem problemas, e aceitarmos que eles são pessoas como nós, teremos dado um grande passo para o entendimento de nossa própria natureza.
Escrito por Philipe às 08h17
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É interessante como, no momento, tudo parece para sempre. As pessoas, a praça, aquela conversa agradável, o riso fácil, o sorriso sincero. E assim que deveria ser sempre. É assim que vai ser. Sempre.
Agora vai.
Mas depois, você pode reunir as mesmas pessoas, o mesmo lugar, o mesmo espírito, e as coisas vão sair completamente diferente. O mais complicado é quando você junta todo mundo exatamente para ser igual àquela vez. E não vai ser assim.
Ressuscitar o momento é tão difícil quanto ressuscitar alguém.
No fundo, são pequenas coisas que tornam os momentos inesquecíveis. Colha o dia, ele pode não vir de novo. E aproveite o momento, ele não vai voltar.

Mas no fim, claro, não devemos ser irresponsáveis. No ambiente em que os humanos evoluíram (é, tipo Darwin mesmo), fazia sentido ser imediatista, pois a vida era curta e não se sabia se viveríamos até o outro dia. Mas hoje em dia, com as comodidades modernas, viver até os cabelos grisalhos é regra, não a exceção. Assim, temos de pensar também no amanhã.
Sobre como dosar o hoje e o amanhã, leia sobre o interessante filósofo Epicuro. Retorno garantido.
Da wikipedia:
A doutrina de Epicuro entende que o sumo bem reside no prazer e, por isso, foi uma doutrina muitas vezes confundida com o hedonismo. O prazer de que fala Epicuro é o prazer do sábio, entendido como quietude da mente e o domínio sobre as emoções e, portanto, sobre si mesmo. É a própria Natureza que nos informa que o prazer é um bem. Este prazer, no entanto, apenas satisfaz uma necessidade ou aquieta a dor. A Natureza nos conduz a uma vida simples.O único prazer é o prazer do corpo e o que se chama de prazer do espírito é apenas lembrança dos prazeres do corpo. O principal da filosofia é libertar o homem.
Escrito por Philipe às 17h48
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