Matizes Escondidos

25/11/2006

Textículos

Num belo de dia de agosto, um professor pediu para que os jovens e incautos alunos da minha sala da faculdade escrevessem sobre "democracia e planejamento". Simples assim. Sem mais instruções.

Aff.. Eu então escrevi um pequeno texto sobre a primeira coisa que me veio à cabeça. Embora eu não tenha realmente empenhado para escrever tal tarefa, a falta de atenção do professor foi demais. Acho que ele não leu o texto de ninguém.

Lembrei disso outro dia e achei que ia ser legal colocar o humilde texto aqui. Para falar a verdade, eu até acredito no que eu escrevi. Mas o resto da história você deve procurar aqui: http://www.gmu.edu/departments/economics/wew/articles/00/economic-growth.html Walter Williams, dono de uma coerência lancinante.

Vamos lá:

A importância da democracia no planejamento: Um breve comentário

Um dos grandes aspectos do debate sobre ciências humanas, em especial a ciência política, a economia e o direito, é sobre o papel do Estado e do mercado na constituição da vida social. Muitas vezes o debate se prende em uma possível antinomia entre as duas instituições, antinomia essa que não é (pelo menos na deveria ser) obrigatória.

O Estado é uma instituição, por sua própria natureza, marcante na vida de quase todos os países. Na maioria desses, o Estado é a maior organização. É reconhecido por parte expressiva fundamental da academia como sendo o detentor natural de uma série de funções (defesa externa, monopólio da violência, exclusividade na emissão de papel-moeda). Sendo detentor de tais mecanismos, é natural que seja interpelado a participar numa série de ações de planejamento, mesmo ao longo do espectro político. Os libertários extremados defendem que o Estado deve ser capaz de fornecer a defesa dos direitos individuais, segurança e liberdade, principalmente. Já os intervencionistas  extremados defendem que o Estado deve interferir pesadamente tanto na vida individual como na vida econômica dos agentes. É reconhecido por quase todos, porém, que o Estado é capaz de mobilizar diversos recursos, tangíveis (tratores, cassetete) e intangíveis (códigos comerciais, ética burocrática) capazes de apoiar ou abortar o desenvolvimento.Um problema sério a ser enfrentado é que aqueles que detêm o poder tem uma tendência natural, humana, de, em graus variados, utilizar o poder estatal em benefício próprio.

Um problema que surge da intervenção estatal na economia é, para usar um termo caro ao economistas ditos austríacos, o problema de cálculo econômico. O Estado pode ser capaz de realizar poupança pública e investir em infra-estrutura produtiva (ações macroeconômicas), mas terá muitas dificuldades em apurar demanda de serviços e produtos, os custos de produção  e o valor social desses(ações microeconômicas), se abrir mão de uma estrutura de mercado e de preços. Sem uma estrutura para valorar os serviços, a produção de bens se torna descolada da demanda, freqüentemente ocasionando superoferta de alguns bens que ninguém quer comprar e suboferta de bens demandados. Ludwig von Mises previu que a União Soviética cairia, não sob uma chuva mortal de ogivas nucleares, mas sim tombaria de podre, corroída por dentro, por ter um sistema econômico centralizado e incapaz de entender e suprir a demanda popular. O sistema de preços, atendidas algumas condições (informação razoavelmente simétrica, etc.), é capaz de transmitir uma carga de informação sobre o mundo que funcionários públicos não são capazes de apreender e utilizar.

O que nos traz à estrutura de mercado de distribuição de bens. O mercado se caracteriza por produzir bens cujo consumo não é obrigatório e pode ser individualizado (e cobrado). Assim, cada agente de torna um centro de decisão sobre quantidade de bens a ofertar e a consumir, tornando o mercado capaz de produzir esses bens com uma eficiência maior do que a provisão estatal centralizada.

Um problema sério surge com bens cujo consumo é obrigatório, ou cujo consumo não pode ser individualizado (e cobrado). Tais bens não podem ser ofertados de maneira ótima pelo mercado. Tal deficiência geralmente é corrigida recorrendo-se ao Estado. Mas como visto acima, o Estado tem problemas de informação sobre o custo e o valor dos bens. Como lidar com essa questão?

É isso que nos traz ao cerne deste pequeno texto. A democracia permite a criação de um mercado de idéias e vontades políticas. Numa democracia, cada cidadão é dotado de algum poder de barganha (voto, apoio político, panelas para fazer protesto) e por isso pode, em maior ou menor grau, influir nos destinos do Estado. Assim, um Estado que é democrático pode resolver, ainda que em parte, o problema de cálculo econômico de oferta de bens de um processo político. Um sistema político pode ser capaz de identificar problemas, gerar demandas e inseri-las num processo competitivo. Cada pessoa, ao se transformar em cidadão, pode se tornar um micro agente de ação política, se sabe suas demandas e está disposto a vocalizá-las. Tal movimento ajuda a diminuir e a direcionar o fardo burocrático do planejamento.

A própria competição de idéias ajuda a barrar projetos monolíticos de viabilidade discutível. Um sistema democrático bem estruturado provavelmente teria como evitar alocações subótimas de recursos em projetos como o “Grande Salto Adiante” chinês. Alocações subótima de recursos essa que gerou milhões de mortos de fome.

Outra via de aperfeiçoamento que a democracia permite aos projetos públicos e a crítica, a revisão e a correção de percurso. Um processo complexo como a implementação de uma política pública, além do planejamento inicial, deve sofrer novas planejamentos em virtude de novos fatos que se tornam aparentes após o início de tal política. Críticas e sugestões podem render exílio, cadeia ou fuzilamento em regimes ditatoriais, mas em regimes democráticos podem render uma boa votação.

Mas a existência de democracia, por si só, não é suficiente para garantir um bom funcionamento do sistema político. A própria democracia traz consigo uma série de problemas: populismo e demagogia, propaganda eleitoral enganosa, logrolling, visão de curto prazo, paralisia decisória, problemas de mobilização e ação coletiva. Esses problemas inviabilizam que a mera existência de uma democracia seja a solução dos problemas de planejamento estatal.

É desse ponto que podemos retomar o ponto de Adam Przeworski em “Ama a incerteza e serás democrático”: uma vida política saudável depende da existência de instituições (regras e costumes, formais e informais) que potencializem a experiência política. Uma democracia onde os eleitos são responsabilizados por seus atos e devem prestar contas a órgãos razoavelmente independentes será, muito provavelmente, melhor para o desenvolvimento que um democracia onde reina a demagogia e a cleptocracia é disseminada.

BIBLIOGRAFIA

Przeworski, Adam, “Ama a incerteza e serás democrático”, Novos Estudos Cebrap, São Paulo, nº9, p36-46, jul. 84


Escrito por Philipe às 20h35
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24/11/2006

Relato interessante

Essa foto é do TCSDaily

Um artigo interessante sobre o que aconteceria com a Terra caso os humanos desaparecessem agora, para sempre, miraculosamente, deixando a Terra seguir seu curso natural. Ok, miraculosamente foi pesado. Mas o pequeno artigo é bem interessante.

http://environment.newscientist.com/article/mg19225731.100.html


Escrito por Philipe às 07h19
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23/11/2006

Bolonha?

I time every journey to bump into you, accidentally
I charm you and tell you of the boys I hate
All the girls I hate
The clothes I hate
All the words I hate
How I'll never be anything I hate
You smile, mention something that you like
How you'd have a happy life
if you did the things you like!...

Eu não gosto da palavra "Bolonha". Bolonha. Aliás, tem tudo a ver com as circunstâncias nas quais eu escutei essa palavra pela pimeira vez...

Quando o grande Ayrton Senna morreu, dia primeiro de maio de 1994, ele estava no hospital de Bolonha. Eu lembro claramente como a transmissão era do hospital de Bolonha. A cada meia hora, plantão da Globo informando o estado de saúde do piloto brasileiro. De Bolonha. Bolonha.

Agora, na minha cabeça, quando eu escuto a palavra Bolonha, eu me lembro de coisas daquele dia, coisas ruins e tal... Além disso, minha "cor" (sinestesia) de "bolonha" é de um branco manchado, nódoas pálidas amarelas, bem patológico. Hummm, podia blogar sobre sinestesia depois. Ah, sinestesia...

Macarrão à bolonhesa? Nem pensar.

E você do outro lado? Também não gosta de alguma palavra?

São essas coisas que deixam a vida mais matizada. =D They are part of our refinements/That allow a man to be.


Escrito por Philipe às 07h16
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22/11/2006

Farewell Dossier

História legal para quem gosta de guerra fria...

Como uma operação bem bolada de contraespionagem acabou resultando naquela que talvez tenha sido a maior explosão não-nuclear já feita pelo homem e que acelerou a queda da União Soviética. Se você gosta de história, guerra fria, etc. é imperdível. Em inglês.

Às vezes eu acho que eu deveria ter sido um jovem adulto na década de 80... Take on me...!

http://www.taipeitimes.com/News/editorials/archives/2004/02/04/2003097438/print


Escrito por Philipe às 19h27
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21/11/2006

Dormir

É final de semestre, é correria, são provas finais e trabalhos para entregar, tudo muito corrido...

Então, para quem quiser dar uma paradinha para relaxar, eu recomendo escutar Sleep do Savatage. É rapidinho, menos de quatro minutos... É legal que o nome dá música é Sleep e o clipe mostra umas paisagens legais, a música é tranquila e envolvente... Realmente dá sono! Mas é legal, não é sono de música chata. Um colega meu uma vez disse que dormiu escutando a música... Não sei explicar, é meio hipnótico. A melodia é excelente, e a letra é um show à parte. E bons bocejos... Uaaa! LINK: http://www.youtube.com/watch?v=KvjpqrXntR0

Sleep - Savatage

Hey there you
Way out there in the distance
Can you hear me
Are you there

I know it's late
So please forgive my persistence
But I'm hanging
Do you care

So lay back
Call off the attack
Cause if you look deep
Dreams are nothing that I lack
And all I seek
A final chance to speak
And I would let the whole thing keep
If I could just sleep

Hey there you
Way out there could you show me
Just a signal
Or a sign
That after all
All these years
That you know me
And I'm not just
Killing time

So lay back
Call off the attack
Cause if you look deep
Dreams are nothing that I lack
And all I seek
A final chance to speak
And I would let the whole thing keep
If I could just sleep

And as I lay there at night
Building castles in the air
Our of alibis and all those little lies
And then I look inside
And pray that I don't care

I don't care

I don't care

Hey there you
Way out there in the distance...


Escrito por Philipe às 07h29
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20/11/2006

Fill-a-post

O wad some Power the giftie gie us -- E que alguma estranha divindade nos desse o poder
To see oursels as ithers see us! -- de nos vermos como os outros nos vêem!

Pixie - unknown copyright

É muito difícil para nós sermos capazes de ter uma opinião acurada sobre nós mesmos... O véu do amor-próprio (ou pior, a falta dele) nos impede de enxergarmos como realmente somos. Essa é para pensar.


Escrito por Philipe às 17h16
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